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Empresários operam com freio puxado em 2026 e confiança segue abaixo do neutro, mostra Índice Mercado & Opinião

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Confiança dos executivos fica abaixo do neutro, com avanço da cautela, pressão sobre margens e incerteza jurídica travando decisões de investimento

A percepção de risco continua limitando decisões estratégicas no Brasil em 2026, mesmo sem um cenário de retração econômica. É o que aponta a nova edição do Índice Mercado & Opinião (IMO), que reúne empresários, CEOs e conselheiros de diferentes setores.

A confiança média ficou em 4,9, em escala de 0 a 10, sinalizando um ambiente ainda marcado por cautela. As empresas seguem operando, mas priorizam controle de risco, preservação de margens e decisões mais seletivas.

A insegurança jurídica lidera as preocupações, seguida pela pressão sobre custos. A falta de previsibilidade permanece como um dos principais entraves ao investimento e ao planejamento de longo prazo.

“A previsibilidade regulatória sustenta decisões de longo prazo. Sem regras claras, o capital encurta prazo e reduz o apetite ao risco”, afirma Marcos Koenigkan, coordenador do estudo.

O levantamento indica que 54,7% das empresas pretendem manter o quadro de funcionários em 2026, enquanto uma parcela menor projeta expansão. O dado reforça um ambiente de espera, com baixa disposição para ampliar estrutura.

A reforma tributária, um dos principais temas no radar corporativo, é percebida de forma neutra a negativa. A expectativa predominante é de aumento de custos ou maior complexidade no curto prazo.

Empresas já antecipam ajustes. Entre as medidas, estão revisão de preços, mudanças operacionais e reavaliação de custos. Além disso, 33,7% indicam renegociação de contratos e 27,9% consideram alterações nas cadeias produtivas.

O cenário varia entre setores. Serviços concentra o maior pessimismo, pressionado pela carga tributária. A indústria se divide entre risco e possíveis ganhos com créditos. O agronegócio mantém cautela, enquanto tecnologia e comércio apresentam leitura mais moderada.

Mesmo onde há intenção de investir, o movimento ainda não configura uma mudança estrutural de confiança. “O empresário brasileiro não está parado, mas opera com maior controle de risco e foco em eficiência”, diz Koenigkan.

A expectativa de queda de juros ao longo do ano não altera, por ora, esse comportamento. O custo de capital segue elevado diante das incertezas globais e pressões inflacionárias.

O diagnóstico é de avanço com limitação. “O Brasil não carece de empresários dispostos a investir. Falta um ambiente que transforme essa disposição em projetos de maior escala e horizonte mais longo”, afirma Koenigkan.

Na prática, o crescimento segue, mas em ritmo contido, com decisões menores, mais lentas e foco crescente em proteção de caixa e eficiência operacional.

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