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Empresas correm contra o tempo para entender o impacto real da Reforma Tributária

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Especialista alerta que foco exclusivo na adaptação de sistemas é insuficiente e aponta riscos críticos para margens, contratos e cadeia de suprimentos a partir de 2027

A Reforma Tributária deixou de ser uma discussão de longo prazo. Embora a transição completa se estenda até 2033, as primeiras mudanças efetivas entram em vigor já em 1º de janeiro de 2027, com a chegada da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirá o PIS e a Cofins e inaugurará uma profunda transformação na apuração fiscal brasileira. O movimento predominante das companhias tem sido focado na camada operacional: adequação de softwares de gestão, parametrização de ERPs e ajuste de processos para garantir a emissão correta de documentos fiscais sob as novas regras. No entanto, especialistas alertam que essa etapa, embora essencial, é apenas a ponta do iceberg.

“Nos últimos meses, acompanhamos de perto a preparação de empresas de diversos setores. A percepção predominante é que boa parte das organizações já avançou na camada operacional da reforma, promovendo adequações em sistemas de gestão, ERPs e processos fiscais para garantir a emissão de documentos fiscais dentro das novas regras. Trata-se de uma etapa essencial para evitar impactos nas operações a partir de 2027, afirma Wagner Schettini, sócio da área de Tributos da RSM no Brasil.

O grande ponto cego das corporações reside na falta de visibilidade sobre os impactos econômicos diretos da CBS sobre os negócios. Com uma alíquota estimada entre 9% e 9,5% e baseada em uma ampla não cumulatividade de créditos, a simples comparação de alíquotas nominais torna-se inútil para mensurar o efeito financeiro real.

“No entanto, existe uma preocupação muito mais relevante que ainda recebe pouca atenção: compreender os impactos econômicos da reforma sobre o negócio. Em estudos realizados para clientes, observamos casos em que empresas com carga tributária efetiva próxima de 5,15% podem passar a enfrentar impactos equivalentes a 6,84%. Em outros, organizações que hoje operam com carga próxima de 6,30% podem alcançar patamares superiores a 12,88%. Tudo dependerá da estrutura de custos, da composição das receitas, da cadeia de fornecimento e da capacidade de aproveitamento dos créditos tributários”, explica Schettini.

A reforma não mexe apenas com a mecânica de recolhimento de tributos. Ela altera diretamente margens operacionais, o EBITDA, a formação de preços de venda, as estratégias comerciais, a amarração de contratos e o planejamento financeiro de longo prazo. Sem esse diagnóstico prévio, projeções de investimentos e expansões passam a ser conduzidas às cegas.

“Como projetar resultados futuros sem entender qual será o novo custo tributário da companhia? Como avaliar investimentos, aquisições ou expansão sem conhecer os efeitos da CBS e, futuramente, do IBS?O risco corporativo não se encerra dentro de portas. Uma companhia que realize o dever de casa e conclua que sua carga tributária ficará estável ainda poderá sofrer fortes abalos caso seus fornecedores estratégicos falhem no mesmo exercício. Grandes empresas precisam liderar suas redes produtivas para evitar rupturas.Desenvolver novos fornecedores leva tempo. Em muitos segmentos, meses ou até anos. Por isso, as conversas sobre os impactos da reforma precisam acontecer agora. Antecipar a revisão de contratos de longo prazo é muito mais eficiente do que renegociar quando os impactos já estiverem ocorrendo”, afirma o especialista.

No panorama macroeconômico, a simplificação tributária trará ganhos de eficiência, mas redistribuirá a carga entre os setores, beneficiando a indústria, enquanto serviços tendem a arcar com pressões mais severas. A ausência de planejamento prévio ameaça repassar ineficiências diretamente ao consumidor final, gerando pressões inflacionárias.

“Mais do que preparar sistemas para emitir notas fiscais, as empresas precisam entender como a CBS afetará sua rentabilidade, sua competitividade e toda a sua cadeia de valor. Essa não é apenas uma tarefa recomendável. Neste momento, ela se tornou urgente”, conclui.

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