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Empresas crescem e quebram: dados revelam que erros fiscais invisíveis são uma das principais causas do colapso corporativo no Brasil

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O Brasil vive um paradoxo silencioso no ambiente empresarial. O país registrou aumento de 18,9% nos pedidos de falência no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian, com 6,7 milhões de micro e pequenas empresas inadimplentes — alta de 5,2% em relação a 2024. O dado que chama atenção não é apenas o volume de fechamentos, mas o perfil de quem fecha: empresas que faturavam bem, que cresciam, que pareciam sólidas e que quebraram justamente no momento de expansão. Para a contadora e consultora tributária Wilquiane Santos,esse padrão tem uma causa estrutural que o mercado insiste em ignorar. 

“A empresa não quebra porque vendeu pouco. Ela quebra porque cresceu sem saber quanto do que faturou era, de fato, seu. Tributo mal calculado, regime tributário errado, patrimônio desprotegido, esses erros não aparecem de imediato. Eles se acumulam silenciosamente e explodem quando a empresa está no topo.”

Auditorias revelam que uma parte significativa das empresas brasileiras paga tributos acima do necessário, perde oportunidades de créditos fiscais ou opera em regimes tributários inadequados. O problema, segundo Wilquiane, é que esse excesso raramente é percebido como um erro, ele é tratado como o custo natural de crescer. “Quando uma empresária me chama para revisar a estrutura tributária do negócio, quase sempre encontramos dinheiro sendo deixado na mesa todo mês. Não por má-fé, mas por falta de planejamento. A contabilidade que apenas cumpre obrigação está te custando lucro.” 

O cenário se agrava com as mudanças em curso no sistema tributário brasileiro. Com a implementação da CBS e do IBS, pilares da Reforma Tributária, especialistas alertam que manter estruturas tributárias antigas pode ser um erro fatal: a nova tributação ocorrerá no destino, impactando diretamente a precificação e o fluxo de créditos das empresas. “A Reforma Tributária não é uma ameaça para quem se preparou. É uma ameaça para quem está operando no piloto automático. Quem não revisou seu enquadramento e sua estrutura societária até agora está acumulando um passivo que vai aparecer na hora mais inconveniente.” 

Wilquiane aponta que o erro mais comum entre empresárias em fase de expansão não é técnico, é conceitual. A contabilidade é tratada como departamento de conformidade, quando deveria ser o centro de inteligência financeira do negócio. “O mercado amador foca apenas em vender. Mas a saúde real de um negócio é medida pela governança do que sobra. Mitigar riscos fiscais, escolher o enquadramento tributário correto de forma preventiva e blindar o patrimônio são as chaves para uma escala segura.”

De acordo com o IBGE, 60% das empresas brasileiras fecham as portas antes de completar cinco anos. Para a especialista, uma parcela expressiva dessas mortes precoces têm origem em decisões fiscais equivocadas tomadas nos primeiros anos de crescimento, quando o faturamento sobe, mas a estrutura não acompanha. A crise silenciosa é marcada por falhas na gestão, falta de planejamento e escassez de orientação técnica, um diagnóstico que, para Wilquiane, descreve exatamente o espaço onde a contabilidade estratégica precisa atuar. “Escala sem governança é só crescimento acelerado do risco. O que diferencia uma empresa passageira de um legado corporativo sólido não é o faturamento, é a inteligência com que ele é gerido.” 

A consistência entre escrituração contábil, declarações eletrônicas e documentação de suporte permanece entre os principais gatilhos de fiscalização da Receita Federal e empresas em expansão, que acumulam novas operações sem revisar a arquitetura fiscal, são as mais vulneráveis a esse cruzamento. “A Receita Federal cruza dados em tempo real. Quando uma empresa cresce rápido sem ajustar sua estrutura, ela está essencialmente sinalizando inconsistências para o sistema. E o sistema vai encontrá-las.”

Para Wilquiane Santos, o recado para 2026 é direto: “O caixa é o rei do negócio. Governar a contabilidade com rigor técnico é o que separa quem constrói patrimônio de quem apenas movimenta dinheiro.”

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