Investimentos

Empresas internalizam crédito e usam FIDC próprio para reduzir custo e acessar investidores

3 Mins read

Com crescimento do mercado de FIDCs no Brasil, companhias passam a estruturar fundos próprios e transformam recebíveis em fonte direta de financiamento

O avanço dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) tem redesenhado o financiamento empresarial no Brasil em um cenário de juros elevados e maior restrição ao crédito bancário. Dados da autoridade monetária mostram que o crédito bancário tradicional vem crescendo em ritmo mais moderado, geralmente entre 5% e 10% ao ano nos ciclos recentes, enquanto o crédito via mercado de capitais, especialmente instrumentos ligados a recebíveis, como FIDCs, CRIs, CRAs e debêntures, avança em patamares superiores, frequentemente acima de 15% a 20% ao ano. Esse movimento ajuda a explicar a expansão do estoque de crédito privado no país, que já supera R$ 3 trilhões ao somar debêntures, CRIs, CRAs e FIDCs, refletindo o crescimento acelerado de estruturas fora do sistema bancário. Nesse ambiente, marcado pela necessidade de capital de giro e pelo encarecimento das linhas tradicionais, empresas passam a buscar de forma crescente alternativas que permitam transformar recebíveis em liquidez imediata, enquanto investidores institucionais ampliam sua exposição a ativos lastreados na economia real, consolidando um processo de desintermediação bancária no crédito corporativo.

       Nesse contexto, a estruturação de FIDCs próprios ganha espaço como uma solução para empresas que buscam mais controle sobre o crédito. O modelo permite reunir recebíveis em um fundo e captar recursos diretamente com investidores, criando uma fonte recorrente de financiamento com base na própria operação. Com o avanço desse modelo, empresas especializadas passam a atuar na estruturação, originação e operacionalização de crédito, além da criação de FIDCs exclusivos, organizando toda a estrutura para que companhias transformem seus recebíveis em liquidez de forma eficiente. A partir desse modelo, passam a ser desenvolvidos fundos exclusivos para companhias que buscam alavancar vendas, otimizar capital de giro e até estruturar melhor sua eficiência tributária. “O FIDC próprio muda completamente a lógica do crédito. A empresa deixa de depender de linhas bancárias e passa a financiar sua operação com base no próprio fluxo de vendas, de forma estruturada e escalável”, afirma Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue. Segundo ele, a estrutura também contribui para dar previsibilidade ao caixa e maior eficiência na gestão financeira.

       A evolução desse formato é sustentada pela digitalização dos processos financeiros e pelo crescimento de plataformas especializadas na estruturação de crédito. Operações que antes eram restritas a grandes companhias passaram a ser acessíveis a empresas de médio porte, especialmente no segmento B2B, onde o volume de recebíveis é mais relevante. Nesse ambiente, ativos que antes eram tratados apenas como fluxo operacional passam a ser estruturados como instrumentos financeiros, capazes de gerar liquidez, financiar crescimento e otimizar o balanço das empresas. É nesse ponto que empresas como o Grupo Everblue passam a atuar como parceiros estruturais na construção dessas operações, conectando companhias ao mercado de capitais e viabilizando o acesso a soluções mais sofisticadas de crédito. O resultado é um avanço consistente da desintermediação bancária no crédito corporativo.

       Ao longo de sua trajetória, a companhia já realizou mais de 7 mil operações e concedeu mais de R$ 3,6 bilhões em crédito, consolidando sua atuação no crédito corporativo estruturado. “O que estamos vendo é uma mudança estrutural no mercado. Empresas que organizam seus recebíveis e estruturam essa operação conseguem ganhar eficiência, reduzir custo e escalar o crescimento com mais previsibilidade”, diz Padula. Para ele, o FIDC próprio tende a se consolidar como uma das principais ferramentas de financiamento empresarial nos próximos anos.

Related posts
Investimentos

Fenner inicia nova fase no Brasil, com investimento industrial e fábrica em Guarulhos

3 Mins read
Empresa do Grupo Michelin amplia atuação no mercado brasileiro de correias transportadoras, com expansão industrial, aumento de capacidade produtiva e integração global…
Investimentos

Grunner investe R$ 19,5 milhões em nova plataforma de máquinas agrícolas e lança motores a etanol e biometano

3 Mins read
Fabricante amplia as opções de matrizes energéticas do portfólio e adota base exclusiva para seus equipamentos desenvolvida para aplicações agrícolas Com investimento…
Investimentos

Redata muda a equação para investimentos em data centers no Brasil

2 Mins read
Incentivos fiscais podem reduzir o custo inicial de novos empreendimentos e aumentar a atratividade do país para projetos de infraestrutura de IA…