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ENASE 2026 debate os caminhos da energia em um mundo cada vez mais digital, complexo e conectado**

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Primeiro dia do encontro reuniu autoridades, governança, especialistas e lideranças do setor para discutir segurança energética, geopolítica, inteligência artificial, inovação e transição energética; programação continua nesta quinta-feira com novos painéis e debates estratégicos

O primeiro dia do ENASE 2026 reuniu autoridades, executivos, especialistas e representantes das principais instituições do setor energético para discutir os desafios e as oportunidades que moldarão o futuro da energia no Brasil e no mundo. Ao longo da programação desta quarta-feira, no Hotel Windsor Oceânico, no Rio de Janeiro, temas como segurança energética, transição energética, geopolítica, digitalização, inteligência artificial, flexibilidade operacional e inovação estiveram no centro dos debates. O evento continua nesta quinta-feira com uma nova rodada de painéis e discussões sobre os temas mais relevantes para o setor.

A abertura do encontro contou com a participação de Gustavo Ataíde, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME); Agnes Costa, diretora da ANEEL; Thiago Prado, presidente da EPE; Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS; e Ricardo Simabuku, diretor de Gestão de Mercado da CCEE, sob moderação de Mario Menel, presidente do FASE e da ABIAPE. O painel destacou a necessidade de modernização do setor elétrico, o fortalecimento do planejamento de longo prazo, a expansão das fontes renováveis, a evolução dos mecanismos de armazenamento de energia e a construção de consensos para garantir segurança energética, competitividade e sustentabilidade.

A geopolítica da energia também ocupou espaço de destaque na programação. Especialistas analisaram como conflitos internacionais, disputas tecnológicas e mudanças nas cadeias globais de suprimentos estão redefinindo os investimentos e a segurança energética mundial. Durante os debates, foi reforçado que a transição energética segue avançando de forma estrutural, mesmo diante das incertezas geopolíticas. Segundo Rafael Rabioglio, Head LATAM da BloombergNEF, os investimentos globais em transição energética alcançaram US$ 2,3 trilhões em 2025, impulsionando tecnologias como energia solar, eólica, baterias e veículos elétricos. Já a advogada e economista Elena Landau ressaltou a necessidade de transformar as vantagens comparativas do Brasil em competitividade efetiva.

Outro tema recorrente foi o impacto da digitalização da economia sobre o setor elétrico. Gabriel Cunha, diretor técnico de Assuntos Internacionais da PSR, destacou que a inteligência artificial representa simultaneamente uma nova fonte de demanda por energia e uma ferramenta estratégica para aprimorar planejamento, operação e gestão dos sistemas elétricos. A crescente complexidade da matriz energética, associada à expansão das fontes renováveis e aos efeitos das mudanças climáticas, exige maior capacidade computacional, novos modelos analíticos e instrumentos de governança mais sofisticados.

Na Trilha de Inovação, o debate sobre data centers, interconexão e modelos de negócio evidenciou o papel central da infraestrutura digital na nova economia. Moderado por Fabio Yanaguita, diretor de Energia LATAM da Scala Data Centers, o painel reuniu Fabio Cortes, do ONS; Diego Julidori, da Equinix; e Léo Almeida, do Google Cloud. Os especialistas destacaram que os data centers se consolidam como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico, impulsionados pela rápida expansão da inteligência artificial. O Brasil foi apontado como um mercado com grande potencial para atrair investimentos, desde que consiga alinhar infraestrutura, telecomunicações, planejamento energético e regulação.

A flexibilidade operacional do sistema elétrico foi outro dos grandes temas do evento. A experiência do Texas, apresentada por Dan Woodfin, vice-presidente de Operações da ERCOT, mostrou como sinais econômicos eficientes podem estimular investimentos em armazenamento, integração de renováveis e expansão da oferta. Atualmente, o estado conta com cerca de 30 GW de capacidade eólica, 30 GW de capacidade solar e aproximadamente 20 GW em sistemas de armazenamento por baterias. A discussão evidenciou que a flexibilidade se tornou um ativo estratégico para garantir segurança energética em sistemas cada vez mais complexos e com elevada participação de fontes renováveis.

No painel sobre flexibilidade operacional, Alexei Vivan, da ABCE; Lino Lopes Cançado, da ENEVA; Alexandre Zucarato, do ONS; e João Daniel Cascalho, do MME, reforçaram que o Brasil possui importantes oportunidades para desbloquear flexibilidade nos ativos já existentes. Os participantes destacaram a importância de aperfeiçoar os sinais econômicos, os modelos de contratação e os mecanismos regulatórios para assegurar a confiabilidade do sistema e apoiar a transição energética.

A complementaridade entre diferentes fontes energéticas também foi apontada como elemento fundamental para a construção de uma matriz mais resiliente e sustentável. Sob moderação de Roberto Falco, diretor-geral da Accenture, Luis Viga (ABIHV), Leonardo Santos Caio Filho (COGEN), Paulo Squariz (Suzano), Raphael Ehlers dos Santos (Eletronuclear) e Luiz Rodrigues (GNA) debateram o papel da biomassa, da cogeração, da energia nuclear e do hidrogênio verde. O consenso foi de que a transição energética brasileira dependerá da integração inteligente entre diferentes tecnologias, associada a planejamento, estabilidade regulatória e visão de longo prazo.

A inteligência artificial foi tema de um dos debates mais movimentados do evento. No painel conduzido por Donato Filho, CEO da Volt Robotics, Alaor Neto (NVIDIA), Bruno Guarany (ONS), Carlos Alberto Calixto Mattar (ANEEL), Alessandra Amaral (ADELAT) e Hudson Mendonça (MIT Technology Review/Energy Summit) discutiram aplicações que já vêm transformando o setor elétrico, como manutenção preditiva, previsão de cenários, detecção de fraudes, otimização de portfólio e apoio à operação de sistemas complexos. A avaliação dos especialistas foi de que a IA deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência operacional para se tornar uma camada estratégica de inteligência aplicada à tomada de dedecisão.oo

O tema voltou ao debate na conversa “Os Especialistas de Energia dos Presidenciáveis”, entre Maurício Godoi, editor-chefe do CanalEnergia, e José de Sá, representante do Partido Novo e da equipe do presidenciável Romeu Zema. Os participantes discutiram como a inteligência artificial, os data centers e a digitalização da economia devem ampliar significativamente a demanda por energia nos próximos anos. Também foram abordados os desafios relacionados à regulação, inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável, em um cenário em que tecnologia e energia se tornam cada vez mais interdependentes.

O primeiro dia do ENASE 2026 evidenciou que os grandes desafios do setor energético passam, cada vez mais, pela integração entre tecnologia, inovação, sustentabilidade, segurança energética e planejamento de longo prazo. As discussões continuam nesta quinta-feira, quando novos especialistas e lideranças do setor subirão ao palco no Hotel Windsor Oceânico, na capital carioca, para aprofundar temas estratégicos e ampliar o debate sobre as transformações que definirão o futuro da energia no Brasil e no mundo.

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