Finanças

Endividamento atinge 80,4% das famílias e bate recorde histórico no Brasil

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O endividamento das famílias brasileiras voltou a atingir níveis recordes em 2026, reacendendo o debate sobre a sustentabilidade financeira no país. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,4% das famílias possuíam algum tipo de dívida em março, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2010. Além disso, 29,6% estão com contas em atraso, evidenciando a crescente pressão sobre o orçamento doméstico e a dificuldade de equilíbrio financeiro em diferentes faixas de renda.

O cenário reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. O maior acesso ao crédito, aliado à inflação persistente em itens essenciais e à tentativa de reorganização de dívidas antigas por meio de novos financiamentos, contribui para um ambiente de maior vulnerabilidade financeira. Nesse contexto, o crédito passa a desempenhar um papel ambíguo: ao mesmo tempo em que sustenta o consumo, também amplia riscos no médio e longo prazo.

Para Daniel Mazza, sócio-fundador da MZM Wealth, multi family office especializado em planejamento financeiro e gestão patrimonial, o avanço do endividamento evidencia um desafio estrutural de educação e organização financeira no país. “O crédito pode ser uma ferramenta útil quando utilizado de forma planejada, mas, sem uma gestão adequada da renda e das despesas, ele se transforma rapidamente em um fator de fragilidade financeira. O problema não é apenas o volume de dívida, mas a ausência de estratégia para administrá-la”, afirma.

As diferenças entre perfis de renda tornam esse quadro ainda mais complexo. Enquanto famílias de renda mais elevada utilizam o crédito como instrumento de gestão de liquidez e manutenção do padrão de consumo, as de menor renda enfrentam maior dificuldade para quitar dívidas em atraso. Esse descompasso reforça o impacto desigual do endividamento sobre a estabilidade financeira e a capacidade de formação de patrimônio ao longo do tempo.

Na avaliação de Daniel Mazza, a tendência de expansão do crédito deve continuar nos próximos anos, impulsionada pela digitalização dos serviços financeiros e pela ampliação do acesso a produtos de financiamento. “O crédito continuará fazendo parte da vida econômica das pessoas. A diferença entre um instrumento de crescimento e um problema financeiro está na forma como ele é utilizado dentro de uma estratégia de longo prazo”, conclui.

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