Tecnologia

Explosão das entregas faz condomínios substituírem controles manuais por operações especializadas

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Com o aumento do volume de encomendas e a pressão por eficiência operacional, condomínios investem em tecnologias e parceiros especializados para garantir rastreabilidade e reduzir riscos operacionais

A rotina das portarias mudou de forma definitiva nos últimos anos. O crescimento contínuo do comércio eletrônico e o aumento do número de encomendas recebidas diariamente pelos condomínios  transformou a gestão de encomendas em uma das operações mais críticas

O que antes era uma atividade pontual da portaria passou a exigir processos estruturados, controle permanente e responsabilidade sobre centenas de entregas realizadas todos os meses.

O motivo se dá pela expansão do e-commerce brasileiro, visto que, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor deve movimentar cerca de R$ 234,9 bilhões em 2026, impulsionado pelo aumento da frequência de compras online e pelo crescimento da base de consumidores digitais. O avanço se reflete diretamente nas áreas comuns dos condomínios, que passaram a concentrar um fluxo cada vez maior de encomendas diariamente. 

Ao mesmo tempo, a necessidade de eficiência também cresce. Segundo a Deloitte, iniciativas de inteligência artificial, automação e transformação digital continuam entre as principais prioridades das empresas para aumentar a eficiência dos processos e reduzir custos operacionais.

Nesse novo cenário, a discussão já não se limita à adoção de armários inteligentes ou sistemas digitais. Cada vez mais, síndicos, administradoras e gestores de facilities buscam parceiros especializados capazes de operar toda a jornada das encomendas, desde o recebimento até a retirada pelo destinatário, garantindo rastreabilidade, segurança e redução dos riscos de extravios. 

É o que aponta Thais Mendes, Head de Smart Solutions da Pitney Bowes, empresa global que fornece tecnologia, logística e serviços em todo o mundo. Segundo a executiva, a automação passou a fazer parte da estratégia de gestão dos empreendimentos, sejam eles corporativos ou residenciais. 

A mudança de modelo responde a uma preocupação crescente do setor: quando uma encomenda desaparece, o impacto vai muito além do prejuízo financeiro. A situação gera desgaste com moradores, expõe a equipe da portaria e coloca síndicos e administradoras em uma posição delicada, muitas vezes sendo responsabilizados por falhas em um processo que deixou de ser compatível com controles manuais”, explica Thais. 

Além de aliviar a rotina operacional, a digitalização contribui para elevar a qualidade da gestão, conforme Mendes. Sistemas inteligentes permitem registrar todas as movimentações das encomendas, de modo que a administração controle prazos de retirada e gere indicadores que auxiliam na identificação de gargalos para otimizar processos. 

Junto a isso, ainda de acordo com a porta-voz, outro fator que impulsiona esse movimento é a expansão dos condomínios logísticos, empresariais e residenciais de grande porte, onde o volume diário de entregas torna inviável a gestão manual das encomendas.

Para a Head, à medida que empreendimentos se tornam mais complexos e a expectativa dos usuários por agilidade aumenta, cresce também a necessidade de integrar tecnologia às operações condominiais, criando uma tendência de ter a tecnologia integrada à infraestrutura básica dos locais. 

“”O porteiro não pode ser responsabilizado pelo desaparecimento de uma encomenda simplesmente porque recebeu centenas de volumes naquele dia. É preciso estruturar uma operação que distribua responsabilidades, registre todas as movimentações e permita identificar exatamente onde cada entrega está. É isso que diferencia tecnologia de gestão”, conclui Thais Mendes. 

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