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Falta de sucessores pode provocar a maior onda de venda de empresas familiares no Brasil

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Mudança no perfil dos herdeiros transforma a sucessão familiar em um dos principais motores do mercado de fusões e aquisições, aponta Helping Hand

Helping Hand, consultoria especializada em valuation, preparação para venda de empresas e assessoria em fusões e aquisições (M&A), alerta que o Brasil começa a viver uma mudança estrutural que pode provocar a maior onda de venda de empresas da história recente. Segundo a empresa, o envelhecimento dos fundadores aliado à mudança de comportamento das novas gerações está fazendo com que milhares de empresários deixem de preparar seus filhos para assumir os negócios da família e passem a considerar a venda das empresas como principal estratégia de sucessão.

O fenômeno acompanha uma transformação no perfil dos herdeiros. Em vez de seguir naturalmente o caminho dos pais, muitos optam por construir carreiras próprias, empreender em novos setores ou atuar em áreas ligadas à tecnologia, inovação e economia digital. Na prática, isso reduz o número de sucessores dispostos a dar continuidade aos negócios familiares e aumenta o interesse de empresários por processos de venda, entrada de investidores e profissionalização da gestão.

A tendência é reforçada pela Pesquisa Global NextGen 2024, da PwC, que mostra que as novas gerações desejam participar das decisões patrimoniais da família, mas têm prioridades profissionais diferentes das gerações anteriores. O estudo aponta que empresas familiares enfrentam um momento decisivo para revisar seus modelos de sucessão e governança diante das mudanças de expectativa dos futuros herdeiros.

O cenário ganha ainda mais relevância quando observado o peso das empresas familiares na economia brasileira. Dados do IBGE, reunidos pela PwC, indicam que elas representam cerca de 65% do PIB nacional e respondem por aproximadamente 75% dos empregos formais do país. Estima-se ainda que cerca de 90% das empresas brasileiras tenham origem familiar, tornando a sucessão um tema de impacto econômico para diferentes setores.

Outro indicador evidencia o desafio. Levantamentos citados pelo Sebrae e pelo Banco Mundial mostram que apenas cerca de 30% das empresas familiares conseguem chegar à terceira geração, reflexo das dificuldades de planejamento sucessório e da falta de continuidade na gestão.

Para Lucas Mendes, CEO da Helping Hand, a mudança representa uma ruptura importante no modelo tradicional de sucessão empresarial brasileira 

“O maior risco para muitas empresas brasileiras não será uma crise econômica, mas a ausência de sucessores. Durante décadas, acreditou-se que os filhos naturalmente assumiriam os negócios da família. Hoje essa lógica mudou. Muitos herdeiros têm outros projetos de vida, seguem carreiras próprias ou simplesmente não desejam administrar uma empresa operacional. Quando isso acontece, vender o negócio deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.”

Segundo o executivo, esse movimento também altera a forma como empresários precisam enxergar seus próprios negócios. Empresas construídas exclusivamente em torno da figura do fundador tendem a enfrentar mais dificuldades para atrair compradores ou investidores. Em contrapartida, organizações profissionalizadas, com governança estruturada e processos consolidados, tornam-se mais valorizadas durante negociações de M&A.

A Helping Hand observa um crescimento da procura por serviços de valuation, preparação para venda e estruturação empresarial justamente entre empresários que começam a planejar sua sucessão sem a perspectiva de transferência familiar. A consultoria já realizou mais de 10 mil diagnósticos empresariais e participou de operações que somam mais de R$ 5 bilhões em transações, auxiliando empresas na preparação para processos de investimento e venda.

Na avaliação da empresa, pequenas e médias empresas deverão concentrar grande parte desse movimento nos próximos anos, criando uma janela inédita de oportunidades para fundos de investimento, grupos estratégicos e investidores financeiros interessados em adquirir negócios consolidados.

“Estamos diante de uma das maiores transferências de patrimônio empresarial da história do Brasil. Empresas saudáveis, lucrativas e líderes em seus segmentos precisarão encontrar novos controladores. Quem estiver preparado terá acesso a excelentes oportunidades de investimento. Quem não estiver preparado poderá perder valor justamente no momento da venda. A sucessão do futuro não será necessariamente familiar. Em muitos casos, ela acontecerá através de investidores, fundos de private equity, grupos estratégicos ou novos sócios. O empresário que entender isso com antecedência conseguirá preparar sua empresa, aumentar seu valuation e negociar em melhores condições”, afirma Mendes.

Com a mudança de perfil das novas gerações e o envelhecimento dos fundadores, especialistas avaliam que a sucessão empresarial deixa de ser apenas uma questão familiar para se tornar um dos principais fatores de transformação do mercado brasileiro de fusões e aquisições.

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