Feiras na Itália e em Hong Kong reuniram fabricantes e designers e apresentaram novas técnicas de fabricação, materiais e propostas de design com potencial para chegar ao mercado brasileiro
O setor joalheiro está ampliando a aposta em peças que combinam design, novas técnicas de fabricação e características pouco encontradas no varejo tradicional. Essa busca por diferenciação ganhou destaque em setembro de 2026, durante duas das principais feiras internacionais de joias, realizadas na Itália e em Hong Kong.
Os eventos reuniram fabricantes, designers e fornecedores que apresentaram tecnologias, materiais e coleções capazes de influenciar os próximos lançamentos do setor.
Atenta a esse movimento, Débora De Landa, empresária com mais de 26 anos de atuação no setor joalheiro e fundadora da Joias Kether, participou dos dois encontros para identificar tendências internacionais, conhecer novos fornecedores e pesquisar peças ainda pouco disponíveis no Brasil.
A intenção é incorporar essas referências à produção e ampliar as possibilidades de criação da marca, especializada em joias de ouro 18 quilates.
O movimento acompanha mudanças no consumo e, segundo o World Gold Council, a demanda global por joias de ouro alcançou US$ 86 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 22% em valor, apesar da queda no volume adquirido. Os preços elevados do metal têm estimulado a procura por peças mais leves e alternativas de fabricação.
“Essas viagens nos permitem conhecer de perto o trabalho de fabricantes e designers internacionais, além de identificar novidades que estão começando a ganhar espaço no setor. É uma forma de ampliar nosso repertório e antecipar escolhas que façam sentido para as nossas clientes”, afirma Débora.
Peças versáteis e novas técnicas ganham destaque na Itália
Realizada entre 4 e 8 de setembro, a Vicenzaoro reuniu 1.300 marcas expositoras e visitantes de 136 países estrangeiros, segundo o Italian Exhibition Group. O evento apresentou coleções que combinam a tradição da joalheria italiana com novas propostas de design e fabricação.
Entre as tendências observadas estavam colares ajustáveis, pulseiras flexíveis e anéis com elementos móveis. As peças podem assumir diferentes formatos ou ser combinadas de acordo com a preferência de quem as utiliza.
Acabamentos texturizados, misturas de tonalidades de ouro e pedras coloridas também ganharam espaço. Outra aposta foram as joias de maior volume visual, mas com estruturas leves, que permitem criar formatos marcantes utilizando menos metal.
A inovação também esteve presente nos processos produtivos. A feira incorporou a T.Gold, exposição dedicada a máquinas e tecnologias para a fabricação de joias, com equipamentos para trabalhar metais preciosos, soluções digitais e demonstrações técnicas.
Para a fundadora das Joias Kether, a visita representou uma oportunidade de pesquisar materiais, conhecer alternativas de produção e estabelecer contatos com fornecedores capazes de ampliar as opções disponíveis às consumidoras brasileiras.
“Não queremos apenas acompanhar o que está sendo lançado no exterior. Nosso interesse é entender como essas peças são produzidas, conhecer técnicas diferentes e avaliar o que podemos incorporar à nossa produção para oferecer joias que ainda são pouco encontradas no Brasil”, explica Débora.
Hong Kong reúne novos materiais e propostas de design
Poucos dias depois, a empresária participou da Jewellery & Gem WORLD Hong Kong, realizada entre 14 e 20 de setembro. A edição reuniu aproximadamente 3 mil expositores de 46 países e regiões e recebeu 57.632 compradores de 149 mercados, segundo a organizadora Informa Markets Jewellery.
O evento ocupou dois centros de exposições: o AsiaWorld-Expo, entre os dias 14 e 18, concentrou diamantes, gemas coloridas e pérolas, enquanto o Hong Kong Convention and Exhibition Centre, de 16 a 20, apresentou joias acabadas, alta joalheria, equipamentos e tecnologias.
Além da diversidade de pedras e materiais, a feira abriu espaço para novas interpretações do design. Uma exposição apresentou criações com gemas coloridas desenvolvidas sem a divisão tradicional entre joias masculinas e femininas.
A programação também aproximou compradores de fabricantes de diferentes países, permitindo comparar estilos, acabamentos e possibilidades de fornecimento.
“Participar dessas feiras nos permite acompanhar de perto as novidades do setor, desde o design até as técnicas de fabricação. É uma oportunidade de descobrir novas possibilidades de criação e buscar referências que tragam inovação e identidade às nossas próximas coleções”, destaca Débora.
Tendências internacionais podem chegar às coleções brasileiras
A busca por novidades no exterior também envolve avaliar quais técnicas e materiais podem ser adaptados às preferências das consumidoras brasileiras. Mais do que acompanhar lançamentos, a participação nas feiras permite conhecer processos de fabricação, identificar tendências e estabelecer relações comerciais com empresas que desenvolvem produtos para diferentes mercados.
Para Débora, o próximo passo é selecionar as referências apresentadas na Itália e em Hong Kong.
“Estamos buscando as principais tendências da joalheria mundial, especialmente modelos que ainda são pouco encontrados no Brasil. A ideia é transformar essas descobertas em peças da nossa própria produção, com novidades que surpreendam nossas clientes e ampliem suas possibilidades de escolha”, afirma Débora.
A seleção também envolve a análise de fornecedores e das condições necessárias para transformar as referências internacionais em produtos. O objetivo é fazer com que a participação nos eventos tenha reflexos concretos na criação das joias, e não apenas na ampliação do catálogo.








