País importou US$ 222,259 bilhões entre janeiro e setembro; avanço das compras externas no acumulado do ano exige mais atenção das empresas a preços e fornecedores
O fim da “taxa das blusinhas” ocorre em um ano de crescimento das compras brasileiras no exterior. De janeiro a setembro, as importações somaram US$ 222,259 bilhões, avanço de 5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em setembro, isoladamente, as importações alcançaram US$ 26,68 bilhões, queda de 2,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Em setembro, foi sancionada a Lei 15.502/2026, que autoriza a redução a zero do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, antes sujeitas à alíquota federal de 20%. O ICMS continua incidindo sobre essas operações, conforme as regras definidas pelos estados e pelo Distrito Federal.
A redução do Imposto de Importação para compras de até US$ 50 está inserida no regime de tributação das remessas internacionais e não deve ser confundida com as operações tradicionais de importação realizadas pelas empresas. Ainda assim, ocorre em um período de expansão das compras externas e reforça a discussão sobre preços e concorrência entre produtos importados e nacionais.
Para Luiz Policarpo, CEO e fundador da Einship, AI-Native LogTech especializada em inteligência de dados e gestão de operações de comércio exterior, o aumento das compras externas exige das empresas maior atenção à forma como compram no exterior.
“Em um cenário de crescimento das importações brasileiras, o efeito não fica restrito ao consumidor que compra diretamente de uma plataforma estrangeira. Empresas que trazem produtos para revenda ou utilizam insumos de outros países também precisam acompanhar preços e fornecedores para saber se continuam comprando nas melhores condições”, afirma.
Importar mais exige melhor comparação
Com o aumento das compras externas, encontrar um fornecedor é apenas parte da decisão. Para quem importa, avaliar se uma operação é vantajosa também passa por comparar preços, origens, parceiros comerciais e alternativas logísticas.
“Uma empresa pode conseguir um desconto do fornecedor que utiliza há anos e acreditar que fez uma boa compra. Mas, se outros importadores encontram o mesmo produto em condições melhores, essa referência deixa de ser suficiente. É preciso olhar além do próprio histórico para entender o que está acontecendo no mercado”, explica Policarpo.
Dados de comércio exterior podem ajudar nessa comparação. Informações sobre preços praticados, origem das mercadorias, fornecedores e rotas utilizadas permitem identificar mudanças no mercado e avaliar se há espaço para renegociar uma compra ou buscar outras alternativas.
A nova legislação também amplia o acompanhamento desses fluxos. A Lei 15.502/2026 determina avaliações periódicas dos efeitos econômicos da tributação das remessas internacionais, considerando fatores como volume, valor e origem das encomendas, além dos impactos sobre emprego e renda, competitividade da indústria e do varejo nacionais, preços ao consumidor e arrecadação.
“Uma compra que foi competitiva há seis meses não necessariamente continua sendo hoje. Preços, fornecedores e rotas mudam. Por isso, a empresa precisa acompanhar o mercado para saber quando vale renegociar ou buscar uma alternativa”, afirma o CEO.








