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IA já decide quem recebe ou não crédito no Brasil

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Fintech registra inadimplência de apenas 0,5%, enquanto a taxa do Sistema Financeiro Nacional supera 5%, e atribui o desempenho ao uso de IA na análise de crédito

Após captar R$ 120 milhões para seu Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) no início de 2026, a fintech CashU começa a colher os primeiros resultados da estratégia de crescimento baseada em inteligência artificial e crédito hiperpersonalizado para pequenas e médias empresas. Em menos de seis meses, a companhia ampliou sua atuação para mais de 1,3 mil organizações e mantém um índice de inadimplência de apenas 0,5%, desempenho que reforça a aposta da empresa em modelos avançados de análise de risco e concessão de crédito sob medida.

A captação, uma das mais relevantes do segmento neste ano, teve como foco acelerar o desenvolvimento tecnológico da plataforma e ampliar a capacidade de oferecer soluções financeiras mais aderentes às necessidades de cada negócio.

O desempenho ganha ainda mais relevância quando comparado ao cenário do crédito no país. Enquanto a CashU registra inadimplência de apenas 0,5%, a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional vem apresentando trajetória oposta. Segundo dados do Banco Central, a taxa de inadimplência, considerada quando há atraso superior a 90 dias em pelo menos uma parcela, saiu do patamar de 4% e ultrapassou a marca de 5% nos últimos meses. 

O investimento em tecnologia proporcionado pelo mais recente aporte transforma também o perfil da empresa. De uma instituição de crédito, a corporação caminha para se configurar em uma plataforma de infraestrutura mais abrangente para concessão, monitoramento, funding e distribuição de crédito B2B, conforme explica o co-fundador e CEO da CashU, Thiago Saldanha. Até a obtenção do mais recente aporte, a CashU registrava uma média de R$ 500 milhões de créditos concedidos anualmente. Com infraestrutura mais robusta, essa média será superada.

“Utilizamos tecnologia própria para realizar análises de crédito baseadas no comportamento do sacado na cadeia B2B. O sistema atua como um motor que cruza mais de 1,5 mil variáveis, via inteligência artificial, para encontrar um limite de crédito hiperpersonalizado, permitindo que a empresa opere com dinamicidade e em tempo real, sem a necessidade de processos manuais lentos”, sublinha o CEO.

Outra expansão da plataforma está na integração com sistemas de gestão empresarial (ERPs), “tornando a solução nativa nos sistemas dos clientes”, segundo as palavras de Saldanha. “Além disso”, continua, “a empresa desenvolveu novas frentes de negócio, como o fornecimento apenas do motor tecnológico de crédito ou a estruturação de fundos para companhias maiores que não desejam antecipar recebíveis, mas buscam segurança e inteligência na concessão de crédito”.

Apesar de uma atenção especial ao segmento de pequenas e médias empresas, a CashU atende também corporações de grande porte. São companhias das mais diversas atividades econômicas, como distribuição de alimentos, de material de construção, eletroeletrônicos, e empresas de venda direta, inclusive redes de franquia. Nesse setor, destaque para parceria com a Cacau Show. “A nossa tecnologia facilita a liberação de crédito para revendedores, via CPF”, pontua Saldanha.

A CashU conta com a participação de grandes instituições financeiras. Na captação de R$ 120 milhões consolidada no início deste ano, entraram como cotistas do FDIC da CashU o BTG Asset Management e a Capitânia Investimentos, que se somaram a Itaú BBA e a Credit Saison. 

Outra parceria classificada como “estratégica” pelo CEO da CashU é com a Lighthouse, casa de investimentos com sede em Salvador (BA). “É uma parceria de quase dois anos. A Lighthouse foi a nossa primeira referência para a busca de apoio e orientação para a tese da CashU”, ressalta Saldanha.

Segundo um dos sócios da Lighthouse, Alexandre Darzé, “a capacidade técnica do time e a qualidade da tese da CashU” foram determinantes para a decisão de se investir na fintech. Desde as primeiras conversas, relembra ele, “ficou claro que a empresa não estava apenas criando uma solução pontual de crédito, mas uma infraestrutura tecnológica para transformar a relação comercial entre fornecedores e compradores B2B”.

A combinação entre tecnologia, crédito e distribuição, percebidas de imediato, sinalizava diferenciais na tese da startup. O sócio da Lighthouse acrescenta: “A CashU atua em um mercado grande, mas ainda pouco digitalizado. Então, existe uma assimetria clara: fornecedores querem vender mais, pequenos e médios compradores precisam de prazo, e os modelos tradicionais de crédito não conseguem atender bem essa relação. A CashU cria uma ponte entre esses dois lados, usando tecnologia para transformar dados comerciais em decisão de crédito”.

Os indicadores até aqui, mais de 1,3 mil pequenas e médias empresas financiadas, totalizando quase 10 mil boletos, e a baixíssima inadimplência de 0,5%, mostram “capacidade de originação da fintech”, contudo um potencial ainda relevante. “A CashU combina crédito, supply chain finance [finanças de cadeia de suprimentos], embedded finance [integração de serviços financeiras em única plataforma] e inteligência artificial aplicada à análise de risco”, afirma o sócio da Lighthouse.

Na avaliação de Darzé, há, no horizonte, possibilidades de novas captações pela CashU. “A empresa está em um momento natural de expansão de capital, porque o modelo exige funding para crescer. Ela já estruturou e vem utilizando FIDCs como parte central da estratégia de escala. Novas rodadas dependem da estratégia da companhia, do ritmo de crescimento e das condições de mercado. Mas, em negócios como a CashU, é natural que negócios desse modelo demandem capital adicional ao longo do tempo”.

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