Debates no The Tech Summit 2026 mostram que a rápida adoção de IA nas empresas já supera a capacidade de monitoramento, governança e controle das áreas de tecnologia e segurança
A velocidade de adoção de ferramentas de automação e inteligência artificial superou, em muitos casos, a capacidade de governança das organizações. Scripts em Python operando em produção sem responsáveis identificados, agentes de IA tomando decisões em processos críticos sem trilha de auditoria e automações criadas por áreas de negócio fora do radar da TI passaram a integrar a rotina de grandes companhias. Esse foi o tema central do The Tech Summit 2026, realizado em São Paulo na última segunda-feira (11).
Para Lorhan Caproni, Co-Founder e CEO da BotCity, esse cenário inaugura um novo estágio da maturidade digital: a governança contínua das automações corporativas. “O cenário mais crítico é quando uma pessoa de qualquer área da empresa pede para a IA automatizar um processo sem entender as implicações disso. Muitas vezes, dados corporativos acabam sendo enviados para plataformas externas sem qualquer controle. Antes de discutir bloqueio, é preciso identificar os comportamentos e educar as pessoas. A maioria não age com má intenção. O problema é que elas não compreendem o que a IA está executando por trás da interface”, afirmou.
Outro ponto central do debate foi o crescimento da superfície de ataque das organizações. À medida que ambientes digitais se tornam mais distribuídos, especialistas defendem que a lógica tradicional de segurança baseada apenas em reação a incidentes já não é suficiente.
Fernando Ceolin, Regional Sales Director da América Latina na Akamai, afirmou que o setor de segurança precisa abandonar a tentativa de controlar ameaças desconhecidas e voltar o foco para o entendimento profundo da própria infraestrutura corporativa. “O desconhecido continuará sendo desconhecido. Não existe mecanismo capaz de prever todas as novas técnicas de ataque ou vulnerabilidades que surgirão. O que as empresas podem controlar é o entendimento do próprio ambiente. Precisamos parar de olhar apenas para o mercado de ataques e começar a entender o que está acontecendo dentro de casa”, afirmou.
A necessidade de consolidar informações de segurança em ambientes cada vez mais fragmentados também apareceu como prioridade entre os debates do evento. Marcio Oliveira, Senior Security Solutions Engineer na Rapid7, defendeu que conceitos como Continuous Threat Exposure Management (CTEM) devem ser tratados como processos permanentes de gestão de risco.
“Não existe ferramenta capaz de resolver sozinha o problema da exposição. O ponto central continua sendo o conhecimento do ambiente. Sem visibilidade completa da infraestrutura, qualquer estratégia de detecção, resposta ou gestão de vulnerabilidades será limitada”, afirmou.
Segundo o especialista, o desafio atual das organizações é abandonar modelos fragmentados de operação e construir uma visão consolidada dos ambientes. “Muitas empresas ainda trabalham com múltiplos consoles, múltiplas fontes de informação e respostas desconectadas. No momento de um incidente, isso gera lentidão operacional e aumenta os pontos cegos. A unificação passa a ser crítica”, disse.
O executivo também destacou que a inteligência artificial tende a ampliar a importância da integração entre plataformas de segurança. “Quando todos os dados estão conectados, os mecanismos de IA conseguem gerar insights mais relevantes para o negócio. A prioridade passa a ser aquilo que realmente representa risco para a operação da empresa”, afirmou.
“O The Tech Summit 2026 é um dia intenso de conteúdo. É impressionante o quanto os participantes podem visualizar o futuro da tecnologia aplicada aos negócios. Tivemos muitos debates sobre IA, entre outras vertentes da tecnologia realmente voltadas para resultados e transformação empresarial”, explica Maico Marinzeck, Managing Director e co-founder do evento.
“É um evento que traz conteúdo exclusivo para profissionais. A agenda foi construída para inspirar inovação e apoiar decisões mais estratégicas nos negócios”, comenta Rafael Narazzi, CEO e co-founder do evento.
As discussões do The Tech Summit 2026 evidenciaram que o Brasil corporativo já avançou significativamente na adoção de inteligência artificial. O desafio agora é estruturar mecanismos de governança capazes de acompanhar a velocidade dessa transformação. Realizado em 11 de maio, em São Paulo, o The Tech Summit 2026 reuniu mais de vinte executivos de tecnologia de grandes empresas brasileiras e multinacionais, incluindo lideranças de companhias como Itaú Unibanco, PepsiCo, Danone, Volkswagen do Brasil, Pernod Ricard, Bradesco, DASA, Total Express e Grupo NC.








