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IFRS S1 e S2 vai bater na porta das médias empresas

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Especialista alerta que o primeiro passo para médias empresas é mapear se a empresa fornece para companhias abertas, multinacionais, bancos, seguradoras, grandes indústrias, varejistas ou empresas integrantes de índices de sustentabilidade

A adoção dos padrões IFRS S1 e S2 no Brasil vai produzir um efeito que ultrapassa as companhias abertas e chega diretamente às empresas médias, fornecedores e prestadores de serviço. Segundo Eliana Camejo, vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli, a nova régua de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade vai descer pela cadeia de valor e transformar dados ambientais, sociais, climáticos e de governança em critério de permanência comercial.

“Não é porque a empresa não está listada na bolsa que ela ficará fora dessa nova régua. A exigência vai descer pela cadeia de valor. Quem fornece para companhias abertas, bancos, seguradoras, multinacionais ou empresas com compromissos públicos de sustentabilidade será chamado a entregar dados, evidências e práticas mínimas de governança socioambiental”, afirma Eliana Camejo.

Embora a obrigatoriedade formal esteja concentrada nas companhias abertas reguladas pela CVM, o impacto prático vai alcançar empresas que fornecem produtos e serviços para grandes grupos. Isso ocorre porque as companhias obrigadas a reportar não conseguirão avaliar seus riscos e oportunidades de sustentabilidade olhando apenas para a própria operação. Elas precisarão compreender também vulnerabilidades, impactos e dependências existentes em sua cadeia de fornecedores.

Na prática, uma empresa média que fornece para uma indústria listada, uma rede varejista, uma multinacional, um banco, uma seguradora ou uma companhia integrante do ISE B3 será questionada sobre temas como emissões de gases de efeito estufa, uso de energia, gestão de resíduos, práticas trabalhistas, saúde e segurança, integridade, proteção de dados, diversidade, risco climático, origem de insumos e governança de fornecedores.

Para Eliana, essa mudança inaugura uma nova fronteira de competitividade. “Antes, muitas empresas viam sustentabilidade como reputação ou diferencial comercial. Agora, ela entra na lógica de continuidade de negócios. A empresa que não tiver dados mínimos, políticas, evidências e governança poderá perder espaço para concorrentes mais preparados”, afirma.

O maior desafio, segundo a Conselheira e especialista em ESG, não será apenas entender a norma, mas organizar a casa. “O problema não é escrever um relatório bonito. É saber onde estão os dados, quem responde por eles, quais evidências sustentam as informações e como esses dados se conectam com risco, contrato, crédito, seguro, reputação e permanência na cadeia de fornecimento”, completa.

O que a média empresa precisa fazer agora

Para a média empresa, a recomendação é não esperar a cobrança chegar. Segundo Eliana, o primeiro passo é fazer um diagnóstico objetivo da própria maturidade em sustentabilidade e governança.

“O empresário não precisa começar por um relatório sofisticado. Precisa começar sabendo o que já tem dentro de casa. Quais dados existem? Onde estão? Quem responde por eles? Quais documentos comprovam as práticas da empresa? Essa organização inicial já separa empresas preparadas de empresas vulneráveis”, afirma.

Entre as primeiras medidas, a vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli recomenda mapear se a empresa fornece para companhias abertas, multinacionais, bancos, seguradoras, grandes indústrias, varejistas ou empresas integrantes de índices de sustentabilidade. Depois, levantar dados básicos de energia, água, resíduos, emissões, saúde e segurança, práticas trabalhistas, fornecedores, integridade e proteção de dados.

Outro ponto essencial é definir responsáveis internos e organizar evidências. Políticas, contratos, licenças, certificados, treinamentos, atas, registros e indicadores passam a ter valor estratégico.

“A nova régua não exige apenas boa intenção. Exige capacidade de comprovação. A média empresa que tiver dados organizados, políticas mínimas e evidências documentadas vai responder melhor a clientes, bancos, seguradoras e grandes contratantes”, completa.

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