Ação ‘Grupo de Recepção’ acontece mensalmente com famílias encaminhadas por entidades parceiras
O Instituto Dara, organização da sociedade civil dedicada a combater a pobreza de forma sistêmica e integrada que apoia famílias em contextos de alta vulnerabilidade, promoveu o encontro ‘Grupo de Recepção’ para “abraçar” novas famílias que serão atendidas e acolhidas pela entidade. Mensalmente, a iniciativaapresenta a todos os participantes a diversidade de serviços oferecidos, toda a estrutura e a equipe multidisciplinar. O intuito é iniciar um novo ciclo de atendimento para implementar o pilar do trabalho do Instituto Dara: o Método-Dara, tecnologia social pioneira criada para combater a pobreza e promover a saúde e o desenvolvimento humano.
Na iniciativa, cada representante de equipe – que conta com profissionais de nutrição, psicologia, serviço social, educação, medicina, moradia, cidadania e geração de renda, entre outras áreas complementares – esclarece a pais, responsáveis e crianças como ocorre o atendimento ao longo da jornada, que dura dois anos. No fim, as famílias que alcançam estabilidade e autonomia tocam um sino para marcar um novo recomeço e celebrar o rompimento de barreiras, a reconstrução de caminhos e o início de uma nova fase com mais dignidade e oportunidades.
Nessa edição do ‘Grupo de Recepção’, as famílias atendidas chegaram ao Instituto por meio das entidades Maternidade Maria Amélia, Hemorio, CRAS Padre Veloso e CIEP Presidente Agostinho Neto.
A assistente social do Instituto Dara, Cátia Alina Bauer, conta sobre a recepção dos novos participantes: “As famílias se sentiram acolhidas e emocionadas. Foi um dia que transbordou afeto, integração e novas perspectivas. Nosso principal objetivo é permitir que famílias em situação de extrema vulnerabilidade socioeconômica melhorem sua qualidade de vida e deixem de ser beneficiárias passivas para se tornarem protagonistas do seu próprio desenvolvimento”.
A cuidadora de idosos e técnica de enfermagem Márcia da Silva Machado, de 48 anos, ingressou na Instituição por meio do ‘Grupo de Recepção’ e conta que, após a doença da filha, precisou parar de trabalhar, mas enxergou no Instituto Dara um novo recomeço, repleto de acolhimento e oportunidades:
“Entrei no Dara depressiva, triste, sem sonhos, mas fui acolhida por todos, desde a faxina ao portão. Minha filha tem anemia falciforme e asma. Cheguei pelo Hemorio. Passei por vários setores (saúde, nutrição, geração de renda, educação). Mas fiz o tão sonhado curso de gastronomia. E minha vida mudou: voltei a sonhar, a acreditar. Já estou desligada, mas, uma vez ao mês, venho aqui e vendo meus produtos. A vida é difícil, mas vocês estão no lugar certo. Acreditem em vocês, aqui há apoio, temos tudo. A vida vai mudar pra melhor, sou prova viva disso. Conhecimento não é demais, busquem”, aconselha a mãe de três filhos.
Atuação contínua e integrada
O Dara trabalha com uma tecnologia social pioneira criada para combater a pobreza e promover a saúde e o desenvolvimento humano, o Método-Dara. Sua filosofia central é que a pobreza é multidimensional e, portanto, a solução deve ser multidisciplinar e simultânea: a família só alcança a autonomia e a saída da vulnerabilidade se todos os seus vetores forem atacados ao mesmo tempo – saúde, educação, moradia, geração de renda e cidadania.
O processo do Método-Dara dura em média dois anos, em que as famílias deixam de ser beneficiárias passivas para se tornarem protagonistas do seu próprio desenvolvimento. Seu impacto é comprovado cientificamente por avaliações como a da Universidade de Georgetown, que indicou redução de 86% nas reinternações hospitalares de crianças e a duplicação da renda familiar em um período de três a cinco anos.
Dados corroboram sucesso institucional
Números de 2026 referentes a 62 famílias atendidas pelo Instituto traduzem o êxito do trabalho realizado. Após cerca de dois anos de acompanhamento, a renda média triplicou; 30% superaram a linha da pobreza; 75% saíram da insegurança alimentar grave; 67% das crianças e adolescentes voltaram para a escola; 33% melhoraram as condições de moradia; e 63% reduziram o estresse emocional.
“Como a pobreza é multidimensional, o atendimento multidisciplinar do Instituto Dara vai no cerne da inclusão social das famílias em vulnerabilidade atendidas. Quando a intervenção é estruturada e centrada na família, a mudança acontece. Em 35 anos de atuação, impactamos diretamente mais de 100 mil pessoas e indiretamente mais de um milhão. Mais do que números, são histórias de dignidade, acesso e novas oportunidades. Transformar realidades exige estratégia, acompanhamento e olhar para a família como protagonista da mudança. E esses resultados mostram que é possível romper ciclos de pobreza”, destaca a presidente do Instituto Dara, Vera Cordeiro.








