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IPCA: Inflação desacelera para 0,07% em julho com queda nos preços dos alimentos

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O especialista em tributação, Fabrício Tonegutti, elenca itens que ficaram mais baratos

​O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração em relação a junho, quando a alta havia sido de 0,16%. O especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fabrício Tonegutti, esclarece que o supermercado deu uma folga bastante concentrada em alguns alimentos.

“A alimentação dentro de casa caiu 1,14% em julho. E três produtos tiveram um papel enorme nesse resultado: o tomate ficou 29% mais barato, a batata-inglesa caiu quase 20% e a cenoura recuou mais de 14%. Também tivemos queda no café moído, nos ovos, no arroz e em alguns tipos de frutas. Então, a inflação quase parou porque vários produtos importantes ficaram mais baratos. Mas não foi uma promoção geral no supermercado. O leite, por exemplo, subiu 2,5%. A cebola aumentou quase 8%. E comer fora de casa continuou ficando mais caro.”, pontua o diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo.

Outro preço que teve queda extremamente significativa foi de itens como o tomate e a batata. O especialista comenta o que aconteceu para ter essa redução: “A explicação principal foi o aumento da oferta. A safra de inverno ganhou força e mais tomate começou a chegar ao mercado vindo de regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Com a batata aconteceu algo parecido. A colheita avançou e a produtividade das lavouras melhorou. Ou seja: foi possível colher mais produto na mesma área. E tomate, batata e cenoura têm uma característica importante: não podem ficar esperando muito tempo por um comprador. São alimentos perecíveis. Quando várias regiões colhem ao mesmo tempo, chega muita mercadoria às centrais de abastecimento e o produtor precisa vende”, afirma Fabrício.

Ele ainda complementa o motivo das frutas não terem acompanhado esse movimento de queda. “Enquanto os alimentos consumidos em casa caíram 1,14%, o grupo das frutas subiu 1,20%. E alguns aumentos relevantes: a manga ficou quase 15% mais cara, o limão subiu mais de 10%, a melancia quase 8% e o mamão pouco mais de 6%. Algumas frutas ficaram mais baratas. A maçã caiu quase 3%, a laranja-pera também recuou perto de 3% e a banana-prata ficou aproximadamente 2% mais barata. Mas essas quedas não foram suficientes para compensar a alta das outras frutas. Portanto, quem chegou ao mercado esperando encontrar toda a seção de hortifrúti em liquidação, provavelmente teve uma pequena decepção ao alcançar a banca das frutas.”, afirma Tonegutti.

Inflação resolvida?

“Ainda não. A inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,44%. É uma melhora importante e coloca o índice novamente dentro do intervalo de tolerância, cujo limite superior é 4,5%. Mas a meta central é de 3%, e o mercado ainda projeta uma inflação próxima de 5% no fechamento de 2026. Esse número pode ser revisto para baixo depois do bom resultado de julho, mas ainda teremos pressões de energia elétrica, serviços e reajustes de fim de ano. Para o consumidor, a notícia é boa porque alimentos mais baratos aparecem diretamente no orçamento. A família consegue variar um pouco mais a alimentação ou gastar menos para levar uma quantidade parecida. Mas o recado é aproveitar o alívio com inteligência: pesquisar, comparar variedades e acompanhar os produtos da estação. A inflação perdeu força, mas o carrinho ainda não ficou barato por completo”, ressalta Fabrício.

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