Finanças

Juros altos mantêm brasileiros longe do financiamento e impulsionam consórcio para imóveis e veículos

2 Mins read

Crédito ainda pressionado, mesmo com início da queda da Selic, reforça busca por alternativas de aquisição com foco em previsibilidade financeira e construção patrimonial

Mesmo com o início do ciclo de redução da taxa básica de juros, o crédito continua caro no Brasil e tem levado consumidores a reavaliar a forma de adquirir imóveis e veículos. A combinação entre juros ainda elevados, parcelas mais pesadas e maior cautela financeira tem impulsionado o consórcio como alternativa para quem busca planejamento patrimonial sem assumir o custo do financiamento tradicional.

Para Carlos Fuzinelli, especialista em expansão de negócios, cofundador da FVL Consórcios, empresa especializada em planejamento financeiro, aquisição patrimonial e consultoria estratégica em consórcios com atuação nacional, o movimento reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor brasileiro diante do custo do dinheiro. “O brasileiro passou a fazer escolhas mais calculadas. Durante muito tempo, a prioridade era antecipar a aquisição, mesmo pagando caro por isso. Hoje existe uma preocupação maior com previsibilidade, organização financeira e preservação da capacidade de investimento”, afirma.

O debate ganha força em meio ao atual ciclo monetário. Em abril, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, segundo corte consecutivo após um período prolongado de aperto monetário. Apesar da sinalização de flexibilização, o custo do crédito para o consumidor segue elevado, especialmente em modalidades voltadas à aquisição de bens de maior valor.

A mudança de comportamento aparece também nos números do setor. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios mostram que o sistema encerrou 2025 com recorde histórico de 5,16 milhões de cotas comercializadas, alta de 15% sobre o ano anterior, movimentando R$500,27 bilhões em créditos negociados. Até o primeiro bimestre de 2026, o número de participantes ativos alcançou 12,85 milhões, novo recorde para a modalidade.

Patrimônio entra no centro da decisão financeira

Além da leitura sobre consórcios como alternativa de aquisição, Carlos Fuzinelli tem acompanhado de perto as mudanças no comportamento financeiro do brasileiro, especialmente nas decisões ligadas à construção patrimonial, acesso ao crédito e planejamento de longo prazo. Com trajetória voltada à expansão de negócios e educação financeira aplicada ao consumo e ao empreendedorismo, o executivo avalia que o debate sobre juros, endividamento e organização patrimonial deve ganhar ainda mais relevância ao longo de 2026, tanto para famílias quanto para empresários.

Segundo Fuzinelli, o consórcio passou a ser visto com outra lógica pelo consumidor. “Existe uma percepção mais madura sobre aquisição patrimonial. O foco deixou de ser apenas a velocidade da compra e passou a considerar a sustentabilidade financeira. Isso explica por que o consórcio ganhou espaço entre consumidores que antes recorreriam diretamente ao financiamento”, diz.

O movimento é perceptível tanto no mercado imobiliário quanto no automotivo. No caso dos imóveis, famílias que encontram parcelas elevadas no crédito tradicional têm buscado alternativas menos pressionadas pelo custo financeiro. Entre os compradores de veículos, o comportamento também mudou diante do maior comprometimento de renda exigido pelos financiamentos.

Para Fuzinelli, a tendência deve permanecer mesmo com cortes graduais na taxa básica de juros. “A redução da Selic ajuda, mas não altera imediatamente a realidade do crédito na ponta. O consumidor aprendeu a olhar com mais atenção para o custo total da aquisição, e isso deve continuar influenciando decisões patrimoniais ao longo deste ano”, afirma.

Related posts
FinançasInvestimentos

Novo Desenrola: entenda 5 impactos do investimento em educação financeira previsto pelo Governo Federal

3 Mins read
Iniciativa pretende alcançar até 2 milhões de pessoas e pode influenciar indicadores como inadimplência, qualidade do crédito, consumo e formação de patrimônio…
Finanças

Money20/20 Europe 2026 coloca IA, stablecoins e disputa por infraestrutura financeira no centro do setor

3 Mins read
Começa hoje, 02 de junho, em Amsterdam, a edição europeia do Money20/20, considerado o principal encontro global da indústria de fintechs e…
Finanças

Fraudes no Pix causaram R$ 4,9 bilhões em perdas e aceleram nova fase do MED 2.0

2 Mins read
Nova versão do mecanismo amplia rastreamento do dinheiro entre contas e reforça pressão sobre prevenção e resposta a incidentes A entrada em vigor…