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Madeira ganha status de ouro verde de Minas Gerais e amplia espaço na economia de baixo carbono

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Dia da Árvore coloca em evidência uma matéria-prima renovável que movimenta indústria, gera empregos e pode ampliar a participação mineira em mercados de maior valor agregado

Minas Gerais tem uma riqueza que vai muito além do minério. Com cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas, presença em mais de 800 municípios e uma cadeia que abastece segmentos como siderurgia, celulose, papel, embalagens, construção, higiene, energia e indústria têxtil, a madeira ganha espaço como uma das matérias-primas estratégicas para a transição para uma economia de baixo carbono.

No Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, a Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF) defende uma mudança na forma de enxergar essa produção. Para a presidente executiva da entidade, Adriana Maugeri, a madeira reúne características que serão decisivas para a indústria nas próximas décadas.

“A madeira é uma matéria-prima renovável, versátil e capaz de substituir insumos de origem fóssil em diferentes cadeias. Minas Gerais tem uma vantagem competitiva construída ao longo de décadas, com conhecimento, tecnologia, produtividade e uma indústria instalada. Por isso, podemos tratar a madeira como um verdadeiro ouro verde do estado”, afirma.

De árvores a milhares de produtos

A dimensão dessa cadeia aparece quando se observa o destino da madeira. Estimativas do setor indicam que a matéria-prima pode dar origem a cerca de 5 mil produtos e aplicações. Papel e embalagens são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos. A mesma base florestal também está relacionada à produção de celulose solúvel, fibras utilizadas pela indústria têxtil, painéis, componentes para construção, produtos de higiene e insumos industriais.

A transformação também alcança setores associados à descarbonização da indústria. Em Minas Gerais, o carvão vegetal produzido a partir de florestas pensadas é utilizado na siderurgia como alternativa aos combustíveis fósseis. O material renovável permite a produção de ferro e aço com menor intensidade de emissões quando comparado a rotas baseadas em carvão mineral. “A discussão sobre madeira precisa sair do campo exclusivamente florestal e chegar à indústria. Quando uma árvore é transformada em fibra, embalagem, painel, produto de higiene ou insumo siderúrgico, estamos falando de uma cadeia industrial que agrega valor a uma matéria-prima renovável”, explica Adriana.

Esse potencial ajuda a aproximar o setor florestal de uma lógica de biorrefinaria. Assim como o petróleo originou diferentes produtos para a economia tradicional, a biomassa florestal pode ser transformada em diferentes materiais e insumos para uma economia baseada em carbono renovável.

Espaço para crescer

O potencial de expansão está associado também à disponibilidade de áreas e ao avanço tecnológico. O Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares de florestas plantadas e reúne condições climáticas que favorecem uma produtividade elevada. Em determinadas culturas, o ciclo do eucalipto pode chegar a cerca de sete anos, resultado de décadas de pesquisa genética, seleção de materiais e técnicas de manejo.

A expansão, segundo a AMIF, pode ocorrer sem avanço sobre áreas de vegetação nativa. O setor defende o uso produtivo de áreas já abertas e degradadas, aliado à conservação de remanescentes naturais. Em Minas Gerais, as áreas associadas à atividade florestal mantêm cerca de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa conservada. “A floresta precisa ser planejada de acordo com o território, o solo, o clima, a finalidade da produção e a necessidade de conservação. É por isso que estamos trabalhando com o conceito de florestas pensadas. Não se trata apenas de plantar árvores, mas de definir qual floresta faz sentido para cada lugar e para cada finalidade”, afirma Adriana.

A cadeia também tem forte presença fora dos grandes grupos empresariais. Mais da metade da produção florestal mineira está associada a pequenos e médios produtores, o que amplia o alcance econômico da atividade no interior do estado.

Com madeira renovável, conhecimento tecnológico, capacidade industrial e espaço para expansão em áreas já utilizadas, Minas reúne condições para transformar sua vocação florestal em uma vantagem competitiva diante da busca global por materiais de menor impacto ambiental. O Dia da Árvore, nesse contexto, oferece um momento para discutir não apenas a importância das árvores, mas o papel econômico que uma floresta pensada pode desempenhar no futuro da indústria.

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