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Mais de 1,5 milhão de estudantes vivem longe da cidade de origem e mobilidade universitária cresce no segundo semestre

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Aprovações tardias, transferências e intercâmbios ampliam o fluxo de universitários entre cidades; executiva do setor aponta que segurança, suporte e estrutura passaram a pesar mais na decisão das famílias

O início do segundo semestre letivo volta a intensificar a mobilidade universitária no Brasil. Segundo o Censo da Educação Superior 2024, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o país reúne mais de 9 milhões de estudantes matriculados na graduação, enquanto levantamento da consultoria Brain estima que cerca de 1,5 milhão de universitários estudam fora de suas cidades de origem. Impulsionadas por aprovações em chamadas posteriores, transferências de curso, intercâmbios e mudanças realizadas em curto prazo, milhares de famílias iniciam a busca por moradia e passam a priorizar fatores como segurança, suporte e qualidade da gestão dos empreendimentos.

A mobilidade universitária ocorre por diferentes motivos. Muitos estudantes precisam mudar de cidade porque determinados cursos não são oferecidos em seus municípios, enquanto outros buscam universidades com maior reputação acadêmica, programas específicos ou melhores oportunidades profissionais. Além disso, chamadas complementares do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), transferências entre instituições e intercâmbios acadêmicos costumam intensificar esse movimento no início do segundo semestre.

Embora morar em outra cidade represente uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional, a mudança também traz desafios importantes. Estudos sobre permanência estudantil apontam que adaptação à nova rotina, distância da família, gestão financeira, saúde mental e construção de redes de relacionamento estão entre os principais fatores que influenciam a experiência universitária e até mesmo a permanência no ensino superior. A experiência acadêmica, cada vez mais, ultrapassa a sala de aula e envolve qualidade de vida, integração social e bem-estar.

Esse novo perfil de estudante também vem transformando a forma como famílias escolhem a moradia durante a graduação. Para Juliana Onias, gerente regional de operações da Share Student Living, empresa especializada em moradia estudantil, a decisão deixou de estar concentrada apenas em localização e preço. “Existe uma mudança clara na forma como pais e estudantes avaliam a moradia. Segurança deixou de ser apenas localização e passou a incluir gestão do espaço, controle de acesso, monitoramento e qualidade do ambiente. As famílias querem entender como funciona a rotina do local e quais mecanismos existem para proteger o estudante durante essa nova etapa da vida”, afirma.

Segundo a executiva, o conceito de segurança também está relacionado ao processo de adaptação vivido pelos universitários que deixam suas cidades de origem. “Segurança também passa pelo sentimento de pertencimento. Quando o estudante encontra um ambiente organizado, com espaços de convivência e oportunidades de interação, ele se adapta com mais facilidade à nova realidade acadêmica e pessoal. A rede de apoio faz diferença na experiência universitária e na tranquilidade das famílias”, destaca.

Dados da PNAD Contínua mostram crescimento gradual da população com diploma universitário, enquanto estudos do Instituto Semesp apontam que empregabilidade, experiências práticas, qualidade da formação e desenvolvimento de competências socioemocionais têm ganhado cada vez mais importância na trajetória acadêmica. “Nesse contexto, as condições de moradia passam a exercer influência direta sobre o desempenho e a permanência dos estudantes”, ressalta Juliana.

Com o segundo semestre concentrando novas matrículas, chamadas posteriores, transferências e intercâmbios, a expectativa é de continuidade da mobilidade universitária em todo o país. “Em um cenário em que milhares de jovens deixam suas cidades todos os anos para ingressar no ensino superior, a escolha da moradia deixa de ser apenas uma questão logística e passa a integrar a estratégia de permanência, adaptação e qualidade da experiência universitária”, completa a especialista.

A mudança no comportamento dos consumidores acompanha a profissionalização do mercado brasileiro de moradia estudantil. Além da proximidade com universidades, estudantes e familiares passaram a avaliar critérios como gestão profissional, contratos formais, monitoramento, suporte operacional e manutenção dos espaços. Na Share Student Living, as unidades contam com portaria 24 horas, controle de acesso por catracas, sistema de clausura para entrada e saída de pessoas, monitoramento por circuito fechado de televisão (CFTV), alarme perimetral, equipe administrativa, studios e apartamentos mobiliados, além de áreas destinadas ao estudo, coworking, academia e convivência.

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