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Mais de 70% das empresas não medem riscos psicossociais antes da nova NR-1

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Estudo revela falhas em gestão e aponta impacto direto de fatores como liderança e organização do trabalho nos resultados

A poucas semanas da entrada em vigor da nova NR-1, um dado expõe o tamanho do desafio: mais de 70% das empresas brasileiras ainda não monitoram de forma estruturada os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. O alerta vem de um levantamento com 245 empresas da Região Metropolitana de Campinas, conduzido pela Aventus Ocupacional, que aponta fragilidades na gestão de fatores ligados à organização do trabalho e às relações internas .

O estudo mostra que o problema vai além da ausência de métricas. Entre os sete fatores analisados, os piores desempenhos concentram-se em definição de cargos, comunicação e qualidade dos relacionamentos, dimensões diretamente associadas à motivação, ao engajamento e à saúde mental dos trabalhadores .

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que passa a valer em maio, amplia o escopo da gestão de riscos ao incluir fatores como sobrecarga, pressão por metas, assédio e falta de suporte. Esses elementos passam a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, que exige um processo contínuo e estruturado de identificação, avaliação e controle de riscos .

Na prática, a mudança ocorre em um cenário de baixa maturidade organizacional. O levantamento indica que setores com maior pressão operacional tendem a concentrar os piores indicadores. No transporte, por exemplo, empresas apresentaram desempenho crítico em cinco dos sete fatores avaliados, reflexo de jornadas extensas, horários fragmentados e isolamento dos trabalhadores. Já no comércio, a combinação entre metas agressivas e competição interna aparece como vetor de desgaste emocional .

Em contraste, a indústria apresentou resultados mais equilibrados, sugerindo que estruturas organizacionais mais definidas e processos mais estáveis podem reduzir a exposição a esse tipo de risco. No setor de serviços, que concentra metade da amostra, os resultados são mais heterogêneos, com destaque para áreas de saúde, onde a pressão emocional e a carga cognitiva são mais intensas .

Para o médico e CEO da Aventus Ocupacional, Dr. Marco Aurélio Bussacarini, o principal desafio está na capacidade de transformar esses fatores em gestão efetiva. “Risco psicossocial não é abstrato. Ele nasce de falhas na organização do trabalho, na liderança e na comunicação. Se não for medido, não é gerido e o impacto aparece em produtividade, afastamentos e rotatividade”, afirma.

A nova NR-1 reforça que o gerenciamento de riscos deve abranger também os fatores psicossociais, integrando-os ao sistema de gestão das empresas . Na prática, isso desloca o tema da saúde ocupacional para o centro da estratégia empresarial, exigindo revisão de processos, papéis e modelos de liderança.

O impacto tende a ser direto sobre os resultados. Estudos internacionais apontam que problemas relacionados ao estresse podem reduzir a produtividade em até 20% e gerar custos relevantes por trabalhador ao ano, considerando absenteísmo e presenteísmo.

Nesse contexto, a entrada em vigor da NR-1 deve ampliar a pressão sobre as empresas, não apenas do ponto de vista regulatório, mas também econômico. A diferença entre cumprir a norma e gerar impacto real tende a estar na capacidade de transformar fatores subjetivos em indicadores objetivos e decisões de gestão.

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