Negócios

Mais Frutas, mais futuro: oportunidades no mercado americano

2 Mins read

*Por Raphael Alabarse

Os Estados Unidos são uma das maiores economias do mundo, com fartura de alimentos, mas quando o assunto é fruta, o consumo está bem abaixo do ideal. Segundo o USDA Economic Research Service, apenas 1 em cada 10 adultos consome a quantidade mínima recomendada de 1,5 a 2 xícaras por dia. Desde os anos 2000, o consumo per capita vem caindo, enquanto crescem as doenças ligadas à má alimentação.

Esse dado me chama atenção por um motivo simples: será que falta fruta nos EUA ou o problema é cultural? Atuando no setor de produção, distribuição e exportação de frutas, vejo claramente que há espaço para crescer e que o desafio não é apenas produzir mais, mas fazer com que a fruta chegue à mesa do consumidor de forma acessível e atrativa.

Um relatório recente do USDA aponta que o consumo diário caiu 14% entre 2003 e 2021. Para o mercado, isso é um alerta e, ao mesmo tempo, uma oportunidade. Se os americanos realmente seguissem as recomendações nutricionais, o setor teria que dobrar sua capacidade de abastecimento. Como produtor e distribuidor, interpreto esse déficit não como problema isolado, mas como demanda reprimida.

Estados como Califórnia, Flórida e Washington produzem maçãs, uvas, morangos e cítricos em grande escala. Ainda assim, a produção cobre pouco mais da metade do que seria necessário se todos consumissem conforme as diretrizes de saúde. Essa lacuna abre espaço para importadores e distribuidores, e é aí que nós, brasileiros, podemos fazer a diferença.

Mesmo com o consumo geral em queda, alguns nichos crescem com força. Frutas orgânicas e exóticas, por exemplo, registraram alta de 18% nos últimos três anos, puxadas pelo público jovem e escolarizado. Frutas como a lichia, que eu cultivo no interior de São Paulo, ganham cada vez mais espaço justamente por serem diferentes, saborosas e associadas a uma alimentação mais saudável.

Oportunidades da fazenda ao supermercado

Na minha experiência no Ceagesp e na exportação para a Europa, vejo que tecnologia e logística são determinantes. Fazendas que investem em irrigação inteligente, drones e sensores conseguem aumentar sua rentabilidade mesmo em cenários climáticos difíceis. Do lado da distribuição, rastreabilidade e logística refrigerada são hoje fatores que diferenciam quem consegue entregar qualidade e quem fica para trás.

A hora de olhar para frente

Estudos recentes mostram que quando há incentivo,  como programas que prescrevem frutas e verduras para pacientes, o consumo aumenta em até 30%. Ou seja, o problema não está na aceitação, mas no acesso. É nesse ponto que acredito que produtores, distribuidores e importadores têm papel fundamental.

Sei, pela minha trajetória como produtor e distribuidor, que frutas não são apenas alimento: são também negócio, saúde pública e oportunidade econômica. O baixo consumo nos EUA pode parecer um problema, mas eu enxergo como uma chance única de expansão. Para quem está no setor, o futuro está maduro para ser colhido.

Related posts
Negócios

Setores fora da construção já representam 45% dos negócios da Orguel

2 Mins read
Participação era de 30% em 2020; avanço em mercados como mineração, indústria e óleo e gás acompanha crescimento médio anual de 20%…
Negócios

Clube dos Executivos chega à 100ª reunião presencial e amplia agenda de conexões, negócios e internacionalização

3 Mins read
Encontro em São Paulo reuniu empresários, parceiros estratégicos e lideranças empresariais em uma noite marcada por networking, novos acordos e reconhecimento à…
BusinessNegócios

Pesquisas comprovam que os carros da Volvo oferecem proteção igual para mulheres e homens

5 Mins read
Estudo destaca como a empresa aprimorou sistematicamente a proteção de todos os ocupantes de seus veículos ao longo de cinco décadas, utilizando…