Marketing

Marketing de afiliados ganha força e já responde por até 16% das vendas no e-commerce global

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Modelo baseado em performance cresce no Brasil e se consolida como canal estratégico de aquisição de clientes

O marketing de afiliados vem ganhando protagonismo como um dos principais canais de aquisição de clientes no ambiente digital. Baseado na lógica de pagamento por resultado, o modelo tem avançado tanto em mercados maduros quanto em economias emergentes, impulsionado pela expansão do e-commerce, pela força dos criadores de conteúdo e pela busca das empresas por estratégias mais eficientes de conversão.

Globalmente, o setor já movimenta entre US$17 bilhões e US$20 bilhões por ano, segundo dados de plataformas como a Shopify e a Thunderbit, e deve manter um ritmo de crescimento anual entre 10% e 18% nos próximos anos. Hoje, o marketing de afiliados já é responsável por cerca de 16% de todas as vendas do e-commerce no mundo, de acordo com levantamento da Findstack, e está presente na estratégia de 81% das marcas globais.

No Brasil, o avanço também é consistente. O número de afiliados cresce cerca 8% ao ano, segundo levantamento divulgado pelo portal Reporternaressi. Estimativas do próprio mercado de afiliados indicam ainda que o país já reúne cerca de 30 milhões de participantes nesse modelo. O movimento acompanha a expansão do comércio eletrônico nacional, que pode movimentar mais de R$220 bilhões, de acordo com projeções da Nuvemshop para o setor.

Para o estrategista de marketing e negócios, Frederico Burlamaqui, o crescimento do modelo está diretamente ligado à mudança na forma como as empresas encaram seus investimentos em marketing. “O afiliado deixa de ser apenas um canal complementar e passa a ocupar um papel central na estratégia de aquisição. É um modelo que reduz risco, porque a empresa paga por resultado, e ao mesmo tempo amplia escala, ao ativar múltiplos canais, criadores e audiências de forma simultânea”, afirma.

Segundo ele, o avanço do chamado “influencer commerce” tem sido um dos principais vetores dessa expansão. “Hoje, criadores de conteúdo não são apenas mídia, eles são canais de venda. Isso muda completamente a lógica do marketing digital, porque conecta influência com conversão direta”, explica.

Esse movimento já pode ser observado na prática em empresas brasileiras que estruturaram o canal de afiliados como parte relevante da sua estratégia comercial. É o caso do Secret Group, ecossistema paranaense que integra soluções de e-commerce, tecnologia, varejo e logística, e que registrou faturamento de R$125 milhões em 2025. 

Com uma base de mais de 500 mil clientes, taxa de recorrência de 30% e presença relevante nos principais marketplaces, sendo topseller da Dafiti e um dos três maiores vendedores de moda no Mercado Livre, o grupo tem ampliado sua estratégia de vendas por meio de afiliados, utilizando parceiros digitais para expandir alcance e capilaridade comercial.

“Os afiliados se tornaram um canal importante de expansão, porque ampliam nossa capilaridade de vendas e permitem alcançar novos públicos de forma mais eficiente”, afirma o CEO do Secret Group, Andrei Amaral. Atualmente, o canal já responde por 25% das vendas da empresa, participação que cresceu 30% apenas nos últimos seis meses.

Para Burlamaqui, esse movimento tende a se intensificar nos próximos anos, especialmente em segmentos de maior valor agregado. “O marketing de afiliados está deixando de ser uma estratégia associada apenas a produtos digitais ou varejo de baixo ticket e passa a ganhar espaço em setores como educação, turismo, finanças e wellness. Isso mostra que o modelo está evoluindo e se tornando cada vez mais sofisticado”, avalia.

A tendência é que o canal continue avançando à medida que empresas buscam eficiência e previsibilidade nos investimentos em marketing. Em um cenário de maior pressão por resultados, modelos baseados em performance devem ganhar ainda mais espaço, reforçando o papel do marketing de afiliados como um dos principais motores do crescimento digital.

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