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Mercado de brinquedos cresce 16,8% no primeiro semestre de 2026

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Levantamento da Circana mostra faturamento de R$ 2,37 bilhões entre janeiro e junho e impacto de brinquedos para além o ‘efeito Copa do mundo’

O mercado brasileiro de brinquedos encerrou o primeiro semestre de 2026 com R$ 2,37 bilhões em vendas, crescimento de 16,8% em valor na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço veio acompanhado de uma expansão ainda maior em unidades, de 90,6%, enquanto o preço médio recuou 38,8%, reflexo direto da mudança no mix de produtos comercializados pelo setor.

Segundo levantamento da Circana, consultoria global de tecnologia, inteligência artificial e dados, o principal motor desse resultado foi o desempenho dos produtos licenciados e colecionáveis ligados à Copa do Mundo FIFA 2026. A propriedade World Soccer saiu de R$ 0,5 milhão em faturamento em 2025 para R$ 253,3 milhões neste ano, tornando-se a principal propriedade do mercado brasileiro de brinquedos no acumulado do período. Pokémon e Hot Wheels também tiveram avanços expressivos, com alta de R$ 40 milhões e R$ 23 milhões em faturamento, respectivamente. Na direção oposta, Lilo & Stitch registrou queda de R$ 23 milhões na receita em 2026.

O apetite por colecionáveis da Copa reorganizou também o ranking de fabricantes no país. A Panini somou R$ 241,9 milhões em vendas no acumulado do ano, consolidando-se como a segunda maior fabricante em valor no período, puxada por álbuns, figurinhas e demais produtos ligados ao mundial.

“O primeiro semestre confirma um movimento que já vínhamos observando: grandes eventos esportivos e culturais têm se tornado verdadeiros vetores de crescimento para o setor de brinquedos. A Copa não apenas gerou uma propriedade nova no topo do ranking, como redesenhou a posição de fabricantes historicamente consolidados no mercado”, avalia Célia Bastos, diretora executiva da Circana Brasil.

O efeito Copa, porém, não foi o único responsável pelo resultado do semestre. “Mesmo retirando todo o portfólio de licenciados da Fifa’, vemos um crescimento de 12% no mercado de brinquedos”, explica Bastos. Categorias tradicionais também cresceram de forma consistente: conjuntos de montar (Lego) avançaram 16,4%; jogos e quebra-cabeças, puxados por jogos de cartas como Pokémon, subiram 15,8%; bonecas tiveram alta de 9,1%; e brinquedos para atividades ao ar livre e esportes cresceram 4,0%. Os números mostram que marcas consolidadas, inovação de produto e licenciamento seguem como pilares de demanda, independentemente do calendário esportivo.

O semestre também confirmou uma mudança estrutural no canal de vendas. O e-commerce respondeu por 30% do faturamento do setor em junho e por 28% no acumulado do primeiro semestre, ante 22% no mesmo período de 2025.

“Estamos diante de uma combinação de fatores que tende a se repetir, momentos culturais e esportivos de grande apelo, propriedades licenciadas fortes e mecânicas de colecionismo bem-sucedidas, tudo isso somado a uma migração estrutural para o digital. O varejo de brinquedos que sai desse semestre é mais diversificado e mais digital do que o de um ano atrás”, afirma a executiva.

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