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Nova RN-1 leva saúde mental para o centro da gestão de riscos nas empresas

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Fundadores da healthtech Moma.i explicam como o monitoramento contínuo da saúde pode ajudar instituições a reduzir afastamentos, preservar produtividade e agir antes que problemas se agravem

O avanço dos afastamentos relacionados à saúde mental está transformando um tema antes tratado apenas pelo RH em uma preocupação estratégica para as empresas. Em meio à entrada em vigor das novas exigências da NR-1, que passou a incluir a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, especialistas defendem que a prevenção e o monitoramento contínuo da saúde dos colaboradores podem ajudar organizações a reduzir custos associados ao adoecimento, evitar afastamentos prolongados e preservar a produtividade das equipes. O debate ganha força em um momento em que o Brasil registrou 534 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, o maior volume da série histórica e 13,2% superior ao registrado no ano anterior.

Criada em 1978 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a norma passou a exigir das empresas uma atenção maior aos fatores que afetam a saúde emocional dos trabalhadores. Além dos riscos físicos, químicos e ergonômicos já previstos, as organizações agora precisam considerar também aspectos relacionados ao estresse, sobrecarga emocional e demais fatores psicossociais.

A atualização da norma acontece em um cenário desafiador. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos por doença em 2025, o maior número dos últimos cinco anos. A dorsalgia, caracterizada por dores nas costas, liderou as concessões de licença, com 237.113 afastamentos, seguida pela hérnia de disco, responsável por 208.727 casos.

A discussão ganha relevância em um momento em que os impactos do adoecimento dos trabalhadores se refletem diretamente nos custos das empresas. Dados recentes apontam crescimento expressivo dos afastamentos relacionados à saúde mental, reforçando a necessidade de uma abordagem preventiva capaz de identificar sinais de risco antes que eles evoluam para quadros mais graves, resultando em licenças médicas prolongadas, perda de produtividade e aumento das despesas corporativas com saúde.

Para os médicos Hendrick Hoyler e Eduardo Vilela, idealizadores da MOMA.I, a relação entre saúde física e mental é mais próxima do que muitas empresas imaginam.

“A saúde física e a saúde mental dos trabalhadores formam um sistema integrado. Sintomas como dores musculares recorrentes, fadiga, alterações do sono, dores de cabeça e problemas gastrointestinais podem estar associados a fatores emocionais e, muitas vezes, surgem antes de um afastamento. O desafio das empresas é conseguir identificar esses sinais precocemente para agir antes que o problema se agrave”, afirma o Dr. Hendrick Hoyler.

Prevenção como estratégia

Segundo o especialista, a atualização da NR-1 representa uma oportunidade para que as organizações adotem uma visão mais ampla da saúde corporativa.

“As empresas historicamente atuam quando o colaborador já está adoecido. O desafio agora é antecipar riscos. Quanto mais cedo sinais físicos e emocionais são identificados, maiores são as chances de evitar afastamentos prolongados e seus impactos para as pessoas e para os negócios”, completa.

Nesse contexto, soluções digitais voltadas ao monitoramento contínuo da saúde ganham espaço dentro das estratégias corporativas de prevenção. A proposta é complementar os programas de bem-estar já existentes, oferecendo acompanhamento mais frequente e orientações personalizadas para os colaboradores.

“A prevenção ainda é muito subutilizada no ambiente corporativo. Quando o colaborador consegue compreender melhor seus sintomas e recebe orientação adequada logo nos primeiros sinais de alteração, aumentam as chances de evitar a evolução para quadros crônicos ou mais complexos. Isso beneficia tanto a saúde das pessoas quanto a sustentabilidade dos programas corporativos de saúde”, afirma o Dr. Eduardo Vilela.

Na prática, a plataforma MOMA.I utiliza inteligência artificial para conduzir uma anamnese inicial, coletando informações estruturadas sobre sintomas, rotina e histórico de saúde. A partir desses dados, o sistema direciona o usuário para a especialidade adequada e identifica possíveis sinais de alerta. Quando necessário, o caso é encaminhado para validação médica, etapa em que profissionais podem solicitar exames, emitir prescrições digitais ou orientar a conduta clínica.

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