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O novo desafio das confeitarias é fazer o cliente voltar

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Em vez de depender apenas de compras por impulso, marcas do setor passam a usar inovação no portfólio para transformar visita ocasional em hábito de consumo

Com faturamento anual de R$ 164,12 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria, e consumidores mais atentos a conveniência, conforto e personalização, como aponta o relatório Global Consumer Trends 2026 da Euromonitor, o lançamento de novos produtos passou a ocupar uma função estratégica no varejo de confeitaria. Para redes de confeitaria artesanal que buscam crescer em novas cidades, a renovação do portfólio deixou de ser apenas uma novidade de vitrine e passou a influenciar a recorrência, ticket médio, diferenciação e experiência do cliente.

Na Doce Magia, rede de confeitaria artesanal com mais de 30 anos de atuação no Alto Tietê, esse movimento acompanha uma fase de expansão estruturada. Felipe Noronha, CEO e sócio da marca, lidera a profissionalização da operação, a ampliação da capacidade produtiva e a abertura de unidades em Guarulhos e São Bernardo do Campo. Agora, a empresa também reforça a estratégia de crescimento do portfólio, com novas linhas de croissants e sobremesas desenvolvidas para ampliar os momentos de consumo ao longo do dia.

“O lançamento de novos produtos não pode nascer apenas da vontade de colocar algo diferente na loja. Ele precisa responder ao comportamento do consumidor, caber na operação e preservar a experiência que a marca construiu. No varejo de confeitaria, a inovação só faz sentido quando ajuda a aumentar a recorrência sem tirar consistência da entrega”, afirma o executivo.

A decisão ocorreu em uma categoria na qual o ponto de venda passou a disputar mais ocasiões de compra. A própria Abip afirma que padarias e confeitarias brasileiras vêm se consolidando como estabelecimentos multifuncionais, com oferta de cafés, refeições rápidas, conveniência e alimentação fora do lar. Esse avanço ajuda a explicar por que croissants, sobremesas individuais, bolos, doces e itens de consumo rápido ganharam espaço no balcão. Eles criam novos motivos de visita, estimulam combinações de compra e reduzem a dependência de datas comemorativas.

Novidade sem processo pode virar problema

No varejo de confeitaria, inovar no mix de produtos envolve uma engrenagem que passa por ficha técnica, abastecimento, exposição, preço, treinamento de equipe e leitura de aceitação do público. Para marcas que entram em cidades maiores, esse cuidado se torna ainda mais sensível, porque o consumidor compara sabor, conveniência, atendimento, ambiente, preço e experiência de forma quase imediata.

A Associação Brasileira de Franchising informou que o segmento de Alimentação, Comércio e Distribuição cresceu 12,9% em 2025, impulsionado por inauguração de operações, novos produtos, conveniência e fortalecimento do mix. Já a Alimentação Food Service avançou 10,8% no mesmo período. Embora a Doce Magia opere com lojas próprias, os dados contextualizam a pressão sobre marcas de alimentação que buscam crescer com padronização, eficiência e diferenciação.

Para o CEO da Doce Magia, o principal risco é confundir inovação com excesso de oferta. “Toda marca de confeitaria precisa tomar cuidado para não transformar inovação em dispersão. O cliente quer ser surpreendido, mas também quer reconhecer o padrão que o fez voltar. Por isso, cada novo produto precisa passar por uma lógica de operação, margem, apresentação e memória afetiva”, diz.

Mix de produtos passou a pesar na expansão

A nova estrutura produtiva da Doce Magia tem papel central nessa estratégia. Com uma fábrica de cerca de 2.000 m², a rede concentra etapas da produção, melhora o controle de qualidade e reduz oscilações entre lojas. Na prática, isso permite testar novas sobremesas, croissants e itens de confeitaria com mais segurança, ajustar volumes conforme a demanda e manter as unidades focadas em atendimento, exposição e experiência de compra.

O movimento também dialoga com uma mudança no comportamento do consumidor. A Euromonitor aponta que metade dos consumidores quer produtos e serviços feitos sob medida para suas necessidades, enquanto a busca por conforto e simplicidade ganha força em 2026. No balcão de confeitaria, isso se traduz em produtos com apelo visual, porções adequadas para consumo individual e itens que funcionam tanto para uma compra rápida quanto para uma ocasião de presente ou celebração.

Experiência define quem volta ao balcão

Segundo o dirigente, a expansão da marca depende menos de lançar produtos isolados e mais do que construir uma rotina de consumo. “Quando a empresa entende que produto, atendimento e operação caminham juntos, o portfólio passa a ser uma ferramenta de crescimento. A expansão da Doce Magia não depende apenas de abrir lojas. Depende do cliente ter motivos para voltar e encontrar a mesma experiência em diferentes unidades”, afirma.

Para redes de confeitaria em crescimento, a disputa passa a estar menos na quantidade de itens oferecidos e mais na capacidade de transformar cada lançamento em uma resposta concreta ao comportamento do público. No caso da Doce Magia, a aposta em novas linhas ocorre junto à expansão geográfica, à profissionalização da operação e ao reforço da capacidade produtiva, três pontos que ajudam a sustentar o crescimento sem romper a identidade construída pela marca.

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