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Novo Plano Diretor para Florianópolis: progresso, mas a que preço?

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O Novo Plano Diretor da capital pode destravar bilhões em VGV, mas baseada em experiências de outras cidades, especialista já prevê no mínimo dois gargalos no horizonte.

A aprovação do novo Plano Diretor de Florianópolis deu o que falar e gerou opiniões controversas, especialmente pelo olhar arrojado e disruptivo que o embasou. Independentemente das análises, a ação abre caminho para um novo ciclo de expansão imobiliária na capital catarinense e esse movimento traz pontos positivos e negativos.

De um lado, a flexibilização de regras urbanísticas e o potencial de adensamento em regiões estratégicas devem estimular lançamentos e atrair investidores para o mercado local nos próximos anos. De outro, junto com a expectativa de crescimento, dois grandes desafios devem surgir com a nova fase de desenvolvimento da cidade: quem vai construir e, principalmente, quem vai vender esse novo estoque imobiliário.

A experiência de outras capitais brasileiras que passaram por revisões urbanísticas relevantes, como São Paulo, um verdadeiro laboratório urbanístico, mostra que mudanças no plano diretor costumam gerar uma aceleração nos lançamentos e valorização de determinadas regiões. Ao mesmo tempo, o movimento também aumenta a pressão sobre a estrutura comercial das incorporadoras e imobiliárias.

Para Andressa Machado, especialista em estruturação de equipes de vendas no mercado imobiliário e uma das principais estrategistas comerciais do país, o desafio muitas vezes não está na demanda, mas na capacidade do mercado de se preparar para ela. Segundo Andressa, ciclos de expansão imobiliária costumam exigir times de vendas mais preparados, capazes de lidar com públicos cada vez mais diversos e com consumidores mais informados.

“O mercado imobiliário mudou muito nos últimos anos. Hoje temos um mix geracional inédito entre compradores, que vai de jovens investidores a compradores acima dos 60 anos. Isso exige preparo comercial, estratégia e equipes capazes de dialogar com perfis muito diferentes de clientes”, afirma.

Na avaliação da especialista, cidades que passam por ciclos acelerados de crescimento imobiliário costumam revelar um descompasso entre a velocidade dos lançamentos e a maturidade das operações de vendas. “Não basta ter bons empreendimentos. O mercado precisa de profissionais preparados para interpretar dados, entender nichos de público e estruturar processos comerciais mais sofisticados”, diz.

Com valorização imobiliária consistente, crescimento populacional e forte atratividade para investidores, Florianópolis reúne hoje características que podem transformá-la em um dos mercados mais dinâmicos do país nos próximos anos e também em um termômetro importante para entender como o setor está evoluindo no Brasil. Mas, fica a ponderação: será que a estrutura para esse mercado está recebendo a atenção necessária para acompanhar seu crescimento?

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