Finanças

Novos modelos de crédito descentralizado ganham espaço e reduzem dependência dos grandes bancos

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Com juros altos e pouca oferta de financiamento, governos e empresas de médio porte recorrem a estruturas próprias de crédito para manter o crescimento

O ambiente de crédito para empresas do setor industrial no Brasil vive um dos períodos mais restritivos das últimas décadas. Entre 2012 e 2024, o volume de crédito destinado à indústria de transformação caiu 40%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reduzindo a participação do setor no total de crédito da economia de 27,2% para 13,7%. A manutenção da taxa Selic em patamares elevados e a postura conservadora dos bancos tradicionais têm ampliado o desafio de acesso a financiamento, especialmente para empresas de médio porte.

Nesse cenário, governos estaduais têm buscado novas formas de impulsionar o crescimento industrial. Uma das alternativas que  vem ganhando força são os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios),  instrumentos eficazes, mas restritos a grandes empresas devido ao seu alto custo e complexidade operacional. É nesse contexto que surge a Bankme, fintech paranaense que criou o “Mini Banco corporativo”, oferecendo uma estrutura muito mais ágil, acessível e com baixa burocracia, capaz de simplificar o acesso a mecanismos antes disponíveis apenas para grandes corporações.

“O FIDC é uma ferramenta poderosa, mas cara e complexa, inacessível para a maioria das indústrias de médio porte. Nós criamos uma estrutura enxuta que permite que empresas montem suas próprias operações de crédito, antecipem recebíveis, operem risco sacado e financiem seus clientes e fornecedores, sem depender dos bancos”, explica Thiago Eik, CEO da Bankme.

Enquanto a estruturação de um FIDC tradicional pode levar de seis a nove meses, o Mini Banco corporativo da Bankme pode ser  implementado em três dias úteis. O custo de estruturação, que em um FIDC convencional parte de R$ 200 mil, cai para cerca de R$ 25 mil no modelo da fintech. A manutenção mensal também é muito mais acessível: sai de R$ 60 mil para aproximadamente R$ 5 mil, com possibilidade de descontos regressivos conforme o volume operado. Além disso, o ponto de equilíbrio financeiro, que antes exigia volumes superiores a R$ 15 milhões, pode ser atingido com operações a partir de R$ 300 mil.

Outra vantagem significativa é a velocidade de retorno. Enquanto no modelo tradicional as empresas começam a ver resultados apenas seis meses após a estruturação, o Mini Banco permite retorno a partir do primeiro mês. Tudo isso com um nível de burocracia muito menor, tornando a ferramenta mais ágil, eficiente e adaptada à realidade das indústrias de médio porte.

Além de atrair empresas privadas, o modelo vem despertando interesse público. Em setembro de 2025, a fintech participou de uma missão comercial ao Catar com o apoio da Invest Paraná, agência de promoção de investimentos do governo estadual. A ação fez parte da estratégia do governo para conectar a indústria paranaense a novos mercados e fontes de capital.

“O governo do Paraná entendeu que, para fortalecer o setor produtivo, é preciso viabilizar crédito de forma mais descentralizada. Nosso papel é atuar como parceiro estratégico para viabilizar investimento e crescimento, tanto para a indústria quanto para o estado”, afirma Eik.

O interesse em modelos alternativos de crédito também reflete o esforço de estados em sustentar o ritmo de industrialização mesmo com juros altos e restrição bancária. Ao permitir que empresas criem suas próprias estruturas financeiras, os Mini Bancos funcionam como motores de crédito produtivo local, impulsionando a geração de emprego, renda e arrecadação.

Atualmente presente em 23 estados brasileiros, a Bankme já estruturou mais de 200 Mini Bancos e movimentou mais de R$ 1.5 bilhão em operações. A fintech, reconhecida entre as LinkedIn Top Startups 2025 e Negócios em Expansão, projeta faturamento de R$ 56 milhões em 2025 e planeja atingir 1.000 Mini Bancos até 2027.

“Nosso propósito é simplificar o acesso a instrumentos financeiros que antes estavam restritos às grandes corporações. Assim como o FIDC impulsionou o crescimento das gigantes, os Mini Bancos estão inaugurando uma nova fase para as médias indústrias brasileiras: mais autônomas, competitivas e financeiramente sustentáveis”, finaliza o CEO da Bankme.

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