Tecnologia

O caminho do crédito inteligente: a tendência do uso de dados, IA e do open finance

3 Mins read

Por Rogerio Melfi, cofundador e CPO do PilotIn*

Quem realmente te conhece é capaz de te surpreender. Quem te conhece apenas de forma superficial, no máximo, faz sugestões genéricas. Esse princípio, tão verdadeiro nas relações humanas, está se tornando uma realidade também no mercado financeiro. No mundo dos dados, a profundidade do conhecimento sobre um cliente é o que diferencia um produto que realmente atende às suas necessidades de outro que apenas tenta encaixá-lo em uma oferta genérica.

Estamos vivendo uma mudança no setor financeiro, impulsionada pelo uso estratégico de dados e inteligência. As empresas têm agora a capacidade de conhecer seus clientes como nunca antes, analisando histórico, comportamentos, preferências e momentos de vida. Esse conhecimento mais profundo permite que soluções financeiras sejam personalizadas de forma inédita, indo além das recomendações superficiais para oferecer algo que realmente faça diferença.

A personalização de produtos de finanças já não é um luxo — tornou-se uma necessidade. Um exemplo claro disso está na concessão de crédito. Antigamente, um cliente com renda variável, como um autônomo, era visto como um risco elevado e, muitas vezes, excluído das condições de financiamento. Hoje, com o uso de dados, é possível entender a sazonalidade de renda e oferecer prazos e condições ajustados à sua realidade. Esse tipo de personalização só é possível quando o sistema financeiro deixa de tentar mudar o consumidor para caber no produto e passa a moldar o produto para caber no cliente.

Além disso, quem conhece você de verdade também pode antecipar suas necessidades e oferecer orientações que vão além do óbvio. Imagine uma pessoa com múltiplas dívidas em cartões de crédito, pagando juros altos e se sentindo sobrecarregada. Uma análise superficial talvez apenas sugerisse um novo cartão ou aumento de limite. Mas a análise profunda — baseada em inteligência de dados — poderia identificar a oportunidade de consolidar essas dívidas em um empréstimo com condições mais vantajosas, economizando dinheiro e reorganizando a vida financeira desse consumidor.

Essa transformação não seria possível sem o avanço do Open Finance, que permite integrar informações financeiras de diferentes fontes em um único lugar. Com isto conseguimos construir um retrato mais completo e preciso do cliente, não apenas com base na foto de hoje, mas considerando seu histórico, comportamentos e até mesmo suas metas futuras.

A personalização e inteligência não são apenas sobre entender — são sobre agir com intenção. A diferença entre surpreender e simplesmente recomendar está na qualidade da interação. Isso significa não apenas criar produtos ajustados, mas também garantir que o cliente entenda e confie nas soluções apresentadas. Transparência, clareza e um compromisso real com o consumidor são indispensáveis para transformar dados em valor.

O Open Finance conectado com inteligência de dados tem o poder de transformar o mercado de crédito em algo muito mais eficiente. Com ele, é possível não apenas atender às necessidades imediatas do público, mas também antecipar riscos, prevenir problemas e orientar o consumidor em direção às melhores escolhas. É essa profundidade de conhecimento — e a intenção de usá-lo para o benefício real do cliente — que define o futuro do mercado financeiro.

Estamos apenas no começo dessa jornada, mas as possibilidades já são imensas. Esse futuro não é uma promessa distante — ele já está sendo construído hoje. E quem souber usar os dados para realmente conhecer e surpreender seus clientes estará liderando essa transformação.

*Rogerio Melfi é CPO do PilotIn, fintech que ajuda os brasileiros a se tornarem pilotos das suas vidas financeiras. Especialista em soluções inovadoras para Open Finance & Open Insurance, Meios de Pagamentos, Crédito, atua na vanguarda das inovações digitais com a Moeda Digital do Banco Central (Real Digital) e tecnologias de Blockchain e DLT. Formado em Administração e Contabilidade, o profissional também possui MBA em Data Science e Analytics, em Administração e pós-graduação em Finanças, Investimentos e Banking. Rogerio já atuou como desenvolvedor na Bovespa e no Grupo Meta, além de ter fundado o LabsBank, Somos Ox e o PilotIn. Além disso, também é Head de Comunidade Fintechs na ABFintechs.

Related posts
Tecnologia

A nova geração de IA não pede permissão e as empresas ainda não sabem lidar com isso 

2 Mins read
*Por Sandro Tonholo, Territory Manager da Infoblox no Brasil. O avanço da inteligência artificial na América Latina já influencia decisões de investimento,…
InformaçõesTecnologia

Canais digitais sem acessibilidade geram perda direta de receita

3 Mins read
*Por Aline Bucelli Ferreira, Gerente de Pré-vendas e Ofertas da Prime Control A acessibilidade digital costuma ser tratada de forma secundária nas…
Tecnologia

Eduardo Bismarck defende resgate de princípios do PL 21/2020 na regulamentação da IA

1 Mins read
Autor de uma das primeiras propostas sobre o tema no Brasil, o deputado do PV afirma que o texto atual precisa de…