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O impacto da Inteligência Artificial agêntica no setor financeiro ao transformar eficiência, gestão de riscos e experiência do cliente

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Por Claudio Bessa, Diretor Executivo de Marketing e Vendas da Inmetrics

A Inteligência Artificial (IA) agêntica caracteriza uma nova etapa da transformação digital no setor financeiro ao ampliar significativamente a capacidade das instituições de automatizar processos com foco no Retorno sobre o Investimento (ROI).

A principal diferença da IA agêntica em relação às gerações anteriores está na autonomia. Estamos falando de agentes capazes de executar fluxos completos de trabalho, a partir da interação entre diferentes plataformas, análise de grandes volumes de dados em tempo real e tomada de ações baseadas em parâmetros previamente definidos.

Essa realidade define a nova forma para bancos, seguradoras, fintechs e demais organizações do setor processarem informações e ampliarem sua capacidade operacional. 

Governança de dados é condição para a IA agêntica 

Projetos de IA conduzidos de forma isolada, sem estarem atrelados ao negócio, não geram valor tangível e rapidamente tornam-se sinônimo de desperdício. Informações inconsistentes, bases de dados fragmentadas e processos pouco estruturados comprometem a eficiência operacional.

A falta de dados de qualidade e de uma governança rigorosa também podem prejudicar os números da empresa. Essa preocupação é reforçada por uma pesquisa do Gartner indicando que mais de 40% dos projetos de IA poderão ser cancelados até 2027 devido a ausência de controles adequados de risco. 

No setor financeiro, a necessidade de controle é mais evidente. Lidamos diariamente com elevado nível regulatório, informações sensíveis e a responsabilidade em decisões sobre crédito, prevenção a fraudes, compliance e relacionamento com clientes. 

Para sustentar a conformidade, a operação precisa ser estruturada sob a premissa de que qualquer tomada de decisão será rastreável, mantendo a instituição financeira protegida contra exposições desnecessárias.

A automatização inteligente de fluxos complexos, como os processos de verificações antifraude, elimina a sobrecarga de tarefas manuais e, nesse contexto, a IA agêntica permite atender a milhares de clientes simultaneamente, integrando os alertas de risco com um suporte preditivo. 

No âmbito comercial, a tecnologia otimiza a gestão do funil de vendas, criando jornadas que aumentam expressivamente as taxas de conversão e o índice de produtividade. 

O fator humano ganha relevância no uso de IA agêntica nas instituições financeiras

Outro impacto relevante da IA agêntica está na humanização da relação entre instituições financeiras e seus clientes. O setor de atendimento ganha os recursos necessários para executar uma hiperpersonalização, com  recomendações mais relevantes de serviços sem comprometer a escala operacional.

Essa combinação, que gera adaptação instantânea à tendências e demandas específicas, tende a se tornar um importante fator de competitividade no atual mercado orientado pela experiência do cliente.

A força de trabalho não é substituída, mas redirecionada. O papel das lideranças financeiras torna-se mais analítico, com foco em parametrizar e fiscalizar a eficiência da IA. À medida que aumenta a autonomia dos agentes inteligentes, maior é a importância do fator humano nas operações do setor financeiro. A adoção da IA agêntica exige conhecimento sobre governança e processos internos, especialmente em organizações altamente reguladas, de modo a garantir previsibilidade e conformidade regulatória.

Um novo modelo operacional de tecnologia para o setor financeiro

Para ir além dos benefícios operacionais, a adoção da IA agêntica exige das instituições financeiras uma revisão profunda do seu modelo operacional de tecnologia. A gestão centralizada de tecnologia cede espaço a um modelo de orquestração, no qual a propriedade das decisões é distribuída entre as equipes de TI, os líderes das áreas de negócio e os parceiros externos. 

Nesse arranjo, os direitos de decisão, as responsabilidades devem estar incorporados diretamente nos processos — e não em estruturas de revisão separadas —, garantindo agilidade sem abrir mão do controle regulatório.

O papel dos diretores de tecnologia (CIOs e CTOs) torna-se ainda mais estratégico: mesmo com a tecnologia distribuída por toda a instituição, a responsabilidade sobre riscos, resiliência e conformidade permanece centralizada na liderança de TI. Paralelamente, as organizações financeiras tendem a substituir progressivamente a dependência de fornecedores por equipes internas capacitadas por IA, direcionando os recursos do trabalho rotineiro para iniciativas de maior valor estratégico.

Portanto, a  vantagem competitiva da IA agêntica no setor financeiro será determinada pela combinação de tecnologia, dados, regras claras e pessoas em um modelo direcionado à geração de valor. As empresas que compreenderem essa mentalidade estarão mais aptas a aumentar sua eficiência, fortalecer a gestão de riscos e, principalmente, liderar a próxima era da experiência do cliente com  respostas mais ágeis às transformações do mercado. 

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