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O novo apetite digital do consumidor brasileiro: como marcas podem criar valor em um mundo sem fronteiras

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Por Matheus Magnus, Head de Negócios do PiniOn*

O comportamento do consumidor brasileiro entrou em uma etapa decisiva. O digital, antes complementar, passou a ser o ponto de partida para grande parte das escolhas, inclusive em categorias tradicionalmente dominadas pelo físico, como alimentação, higiene e produtos domésticos. Um estudo recente indica que 63,5% dos brasileiros já têm o hábito de comprar on-line, evidenciando a busca por experiências completas, práticas, seguras e alinhadas a valores pessoais.

As fronteiras entre online e offline estão cada vez menos perceptíveis. A jornada de compra ganhou fluidez. O consumidor compara preços no celular enquanto está no supermercado, adquire itens cotidianos em marketplaces e espera respostas rápidas e resolutivas no WhatsApp. Para as marcas, isso representa uma mudança de lógica, em que o digital deixa de ser apenas uma vitrine e se torna parte central da experiência.

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce faturou R$ 204,3 bilhões em 2024, com 91,3 milhões de compradores, registrando alta de 10,5% sobre 2023. As projeções indicam avanço contínuo, ultrapassando R$ 234 bilhões em 2025 e podendo chegar a R$ 557 bilhões em 2027.

A jornada atual é orientada por dados, influência social e conveniência. O consumidor pesquisa, consulta avaliações e prioriza marcas que oferecem clareza e consistência. Com isso, os dados deixam de ser métricas isoladas e passam a orientar estratégias, revelando o que realmente importa, como praticidade, segurança e preço justo.

Esse novo apetite digital também redefine a percepção de valor. O consumidor aceita pagar mais por serviços que facilitem sua rotina e reduzam atritos. Marcas que desenvolvem ecossistemas digitais intuitivos e coerentes transformam propósito em prática, combinando usabilidade clara, comunicação integrada, atendimento humanizado e tecnologias que simplificam processos. Plataformas como Netflix, Spotify, Mercado Livre, Amazon e iFood se destacam pela simplicidade, transmitindo organização, segurança e fluidez.

Ampliar a presença on-line já não é suficiente. É preciso compreender o consumidor e atuar de forma alinhada às suas necessidades. Transparência, simplicidade e clareza são pilares essenciais. Quanto mais fluida a jornada, maior o vínculo. Quanto mais clara a comunicação, mais forte a confiança.

As marcas que traduzirem esse entendimento em experiências digitais intuitivas, que reduzam ruídos e respeitem o tempo do consumidor, serão naturalmente as mais relevantes. O futuro do consumo digital no Brasil será liderado por quem une consistência, empatia e a coragem de ser simples.

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