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O novo mapa do dinheiro: por que a tokenização pode acelerar o empreendedorismo feminino no Brasil

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Por Patrícia Aiello

O Brasil já tem mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios, o equivalente a cerca de 34% do total de empreendedores no país, segundo o Sebrae. Ainda assim, quando o assunto é acesso a crédito e investimento, esse avanço não se traduz na mesma proporção.

A dificuldade de acesso a capital continua sendo um dos principais entraves para o crescimento de empresas lideradas por mulheres. E não se trata apenas de uma questão de inclusão, mas de eficiência econômica: negócios femininos tendem a apresentar maior controle financeiro e menores índices de inadimplência, o que os torna ativos potencialmente mais seguros.

É nesse descompasso que novas soluções financeiras começam a ganhar relevância.

A tokenização, processo que converte ativos reais em frações digitais negociáveis, surge como uma alternativa para ampliar o acesso ao mercado de capitais. No Brasil, este processo ocorre dentro de um ambiente regulado, com operações estruturadas conforme a Resolução CVM 88, por meio de plataformas autorizadas. Isso garante transparência, segurança jurídica e organização no acesso ao mercado de capitais, elementos essenciais para qualquer modelo sustentável.

Vale destacar que o acesso ao capital ainda é um dos principais filtros entre quem cresce e quem fica para trás. Quando criamos estruturas mais acessíveis e organizadas, ampliamos não só o número de empresas financiadas, mas também a diversidade de quem participa da economia.

E tecnologia é meio e a governança é a base. Ao criar alternativas reguladas e acessíveis, ampliamos as possibilidades para empreendedoras que, até então, encontravam portas fechadas no sistema tradicional. Não se trata de substituí-lo, mas de complementá-lo com novas ferramentas que dialoguem com as necessidades de um mercado em transformação.

E essa transformação já está em curso. Ao longo da minha trajetória no mercado financeiro e na tecnologia, dois dos ambientes mais fechados, historicamente masculinos e resistentes à presença feminina, aprendi que o acesso a capital não é apenas uma variável econômica. É, sobretudo, uma questão de participação, de poder de decisão e de construção de futuro.

Podemos notar que ao longo de décadas, o sistema financeiro tradicional consolidou critérios que, embora necessários, muitas vezes se tornam barreiras para pequenas e médias empresas. Exigência de garantias elevadas, burocracia e limites restritivos acabam reduzindo o potencial de expansão desses negócios.

A tokenização atua justamente nesse ponto, ao permitir a captação de recursos de forma mais flexível, estruturada e potencialmente mais acessível. Em vez de depender exclusivamente de grandes instituições, empresas podem acessar uma base mais ampla de investidores, distribuindo riscos e oportunidades.

Diante desse cenário, ampliar o acesso ao capital para pequenas e médias empresas lideradas por mulheres deixa de ser apenas uma pauta de diversidade para se consolidar como uma estratégia econômica inteligente e indispensável.

Iniciativas como o Elas Tokenizam, voltada a democratizar o acesso ao crédito por meio de ativos digitais, mostram na prática como a inovação pode destravar o crescimento de negócios liderados por mulheres. Os recursos captados são direcionados a demandas concretas, como expansão, aquisição de equipamentos e capital de giro. Nesse contexto, o futuro dos negócios se desenha cada vez mais digital, descentralizado e orientado pela tokenização

Até 2030, a forma como produtos, serviços e investimentos são estruturados e comercializados deve passar por mudanças profundas. Tecnologias como blockchain, inteligência artificial e tokenização de ativos estão redesenhando modelos de negócio, criando mercados e ampliando o acesso ao capital, segundo estudo publicado pelo Boston Consulting Group (BCG).

O propósito é justamente esse: apoiar mais mulheres no centro dessa nova economia digital. Porque inclusão financeira não é apenas uma pauta social, é uma alavanca de crescimento, inovação e competitividade.

Discutir alternativas estruturadas de captação de recursos é, portanto, uma necessidade urgente. Infraestrutura importa. Informação também. E, acima de tudo, acesso.

A questão central não é se essa transformação vai acontecer. Ela já começou.

A pergunta é quem estará preparado para participar dela.

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