Por Gilberto Reis*
A realidade da especialização em SAP vem mudando. O que antes se resumia ao domínio de módulos e processos específicos do sistema, agora se depara com a evolução do ecossistema, impulsionada por S/4HANA, Cloud, dados, integração e inteligência artificial. Essa atualização ampliou as possibilidades da tecnologia e as competências esperadas dos profissionais que trabalham com ela.
Uma das principais mudanças desse processo é a migração dos sistemas ECC para o S/4HANA. Ao mesmo tempo em que as empresas avançam em projetos de modernização, cresce a necessidade de profissionais capazes de atuar em áreas como arquitetura de soluções, integração, gestão de dados, extensibilidade e aplicação de inteligência artificial aos processos de negócio.
O conhecimento técnico continua sendo essencial, mas passa a dividir espaço com competências que permitem compreender como diferentes soluções se conectam e como a tecnologia pode contribuir para objetivos concretos das empresas. Um dos principais exemplos disso é a adoção de inteligência artificial. Em processos corporativos, o uso da tecnologia exige mais do que conhecimento sobre ferramentas de IA. É necessário compreender os dados utilizados, os sistemas envolvidos, os processos que serão transformados e os resultados que a empresa pretende alcançar.
No ambiente SAP, essa integração tende a ser ainda mais relevante à medida que recursos de IA passam a ser incorporados aos processos empresariais mais complexos, como a Reforma Tributária. Além de exigir adequações nos sistemas e processos das empresas, as mudanças regulatórias adicionam uma camada de dificuldade aos projetos de transformação do ecossistema SAP.
Outro aspecto importante é a capacidade de aprendizado contínuo. A velocidade de evolução das tecnologias faz com que determinadas competências se tornem relevantes em períodos cada vez mais curtos, exigindo que a formação do profissional não termine com o domínio de uma plataforma ou ferramenta.
A especialização continua sendo um diferencial, mas a capacidade de aprender novas tecnologias, trabalhar com diferentes áreas e compreender os impactos das decisões técnicas sobre o negócio tende a ganhar cada vez mais espaço. Isso também afeta a maneira como as empresas formam suas equipes.
Projetos de transformação podem exigir conhecimentos muito específicos durante determinadas etapas, fazendo com que a contratação de especialistas ou a formação de equipes sob demanda seja uma alternativa para acessar competências que não precisam permanecer continuamente dentro da estrutura da organização.
Longe de ser apenas uma atualização tecnológica, o novo SAP acompanha uma transformação na própria natureza dos projetos corporativos e nas competências necessárias para conduzi-los.
Para os profissionais, isso significa que a especialização já não deve caminhar sozinha. A combinação entre conhecimento técnico, capacidade de integração, aprendizado contínuo e visão de negócio tende a definir cada vez mais o perfil valorizado nas próximas etapas da transformação digital.
*Gilberto Reis, COO da Runtalent, empresa de soluções digitais especializada em recrutamento e alocação de profissionais e equipes de tecnologia.








