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OCDE: Brasil é o 4º país com mais jovens “nem-nem” que não estudam e nem trabalham

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País fica atrás apenas da Colômbia, África do Sul e Turquia; especialistas avaliam que reduzir o índice de jovens “nem-nem” exige uma combinação de políticas públicas e iniciativas privadas

São Paulo, 10 de setembro de 2025 – O Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham, a chamada geração “nem-nem”. Segundo o relatório Education at a Glance 2025, divulgado nesta terça-feira (9) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 24% dos jovens brasileiros nessa faixa etária estão fora do sistema educacional e do mercado de trabalho, o que representa um índice quase duas vezes maior que a média dos países-membros, de 14%. Apenas Colômbia, África do Sul e Turquia apresentam números piores.

            O estudo traz um alerta sobre como essa etapa pode ser crucial na transição entre escola e carreira, e longos períodos de inatividade podem ampliar desigualdades econômicas, sociais e até gerar impactos psicológicos duradouros. Outro dado relevante é que o Brasil ainda integra um grupo restrito de cinco países que utilizam exclusivamente exames acadêmicos, como ENEM e vestibulares, para o ingresso em universidades públicas. Nos demais 29 países avaliados, já são aplicados métodos complementares, como entrevistas, análise de experiências prévias e desempenho escolar, que buscam valorizar também competências socioemocionais e práticas.

            Especialistas avaliam que reduzir o índice de jovens “nem-nem” exige uma combinação de políticas públicas e iniciativas privadas. A revisão do acesso ao ensino superior, a ampliação do ensino técnico e profissionalizante e a criação de programas que conectem empresas e escolas são apontados como caminhos para encurtar a transição entre estudo e mercado. A experiência de Portugal mostra resultados nesse sentido: um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos indica que a expansão dos cursos profissionais aumentou a conclusão do ensino secundário, melhorou a integração dos jovens no mercado e estimulou o empreendedorismo.

            Para o especialista Giuliano Amaral, que também é um dos idealizadores e CEO da Startup Mileto – que vem atuando fortemente no Brasil para conectar estudantes do Ensino Médio Técnico a pequenas e médias empresas, oferecendo estágios, mentorias e trilhas de desenvolvimento em soft skills – as empresas podem ser grandes aliadas para a transformação deste cenário, mas, para isso, é preciso mudar a visão sobre essa geração de jovens. “As empresas precisam enxergar os jovens como protagonistas, e não apenas como mão de obra em formação. Investir em empregabilidade e no desenvolvimento de soft skills gera impacto social e fortalece a economia”, afirma.

            Segundo Amaral, o Brasil tem potencial para virar esse jogo. “Mas precisamos de políticas públicas mais robustas, do engajamento das empresas e de soluções inovadoras que deem visibilidade ao jovem talento”, conclui Amaral.

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