Apesar do aumento, varejo passa a combinar carne bovina, frango e suínos nas mesmas campanhas para preservar o consumo, como aponta a SB Analytics, nova unidade de negócios da Shopping Brasil
A carne bovina continua presente na mesa do brasileiro, mas já não reina sozinha nas estratégias promocionais do varejo. O movimento aparece nos números: as ofertas de proteínas cresceram 23% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, e chegaram a uma alta de 30% somente em junho, como aponta a SB Analytics, nova unidade de negócios e que funciona como o braço analítico da Shopping Brasil (https://w0.shoppingbrasil.com.br/), resultado de uma parceria estratégica com a Vertical (www.verticalinteligencia.com.br) para transformar dados do varejo em inteligência de mercado.
Ao mesmo tempo em que registra alta nas promoções, a carne bovina enfrenta uma pressão adicional sobre o consumo. Entre 2021 e 2026, os preços da categoria registraram um crescimento de 6,23% ao ano. Com o orçamento das famílias pressionado pelo custo de vida e pelo endividamento (82% dos brasileiros têm dívidas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), supermercados ampliaram as alternativas de proteínas dentro das campanhas, oferecendo ao consumidor mais possibilidades de escolha entre carne bovina, frango, carne suína, linguiça, peixe e ovos.
Frango ganha força no Sudeste – No Sudeste, a carne bovina ainda representa a maior parcela das campanhas promocionais de proteínas, com 28,5%, mas o frango já aparece próximo, com 22,2%, seguido por carne suína (17,1%), linguiça (14,9%), peixes (8%), ovos (4,8%) e salsicha (4,6%). O cenário, porém, muda de acordo com o Estado.
Em São Paulo, a carne bovina representa 30,6% das campanhas promocionais, enquanto o frango responde por 20%. No Espírito Santo, as participações são de 29,9% e 25,8%, respectivamente. Já em Minas Gerais, o frango passou à frente da carne bovina: 25,5% contra 21,9%. No Rio de Janeiro, a diferença é ainda maior: o frango representa 28,4% das campanhas, contra 23,7% da carne bovina.
Mais do que uma simples substituição da carne bovina por proteínas mais baratas, os dados apontam para uma mudança na maneira como o varejo apresenta e comercializa a categoria. “Observamos que, em uma mesma peça promocional, o supermercado apresenta a carne bovina e, imediatamente, opções de frango e de cortes suínos. Isso dá ao consumidor a possibilidade de fazer a escolha de acordo com o seu orçamento”, afirma Felipe Manssur Santarosa, sócio na Vertical.
Diferentes pesos no orçamento regional – A pressão sobre a escolha do consumidor também é regional. A carne bovina compromete parcelas muito diferentes do orçamento das famílias nas capitais analisadas: 1,3% em Brasília e 5,4% em Belém. Em Belo Horizonte, o índice é de 2,3%; no Rio de Janeiro, 2,2%; e em São Paulo, 2,1%.
Outra mudança identificada pela SB Analytics está no calendário promocional. A tradicional concentração de ofertas de carne na quinta-feira começa a dividir espaço com outros dias da semana. As ofertas de proteínas cresceram 33% às terças-feiras, 35% às quartas-feiras e 38% aos domingos, sinalizando uma tentativa do varejo de transformá-las em uma compra mais recorrente ao longo da semana.
Disputa com outros hábitos de consumo – A mudança nas proteínas acontece dentro de uma transformação mais ampla do comportamento das famílias. Com a pressão sobre o orçamento, os consumidores vêm concentrando uma parcela maior dos gastos com alimentação em casa, movimento positivo para o varejo alimentar, mas que não significa que o supermercado tenha uma disputa garantida pela renda disponível.
“O supermercado não deveria olhar apenas para o concorrente direto. Hoje, o orçamento das famílias está disputando espaço com a Netflix, com a academia, com o Uber e com várias outras formas de consumo muito presentes na vida das pessoas. Concentrar mais gastos em alimentação dentro de casa é muito bom para o supermercado. Mas o varejista precisa oferecer alternativas e entender quais categorias estão disputando o mesmo dinheiro”, afirma Santarosa.
Dados para ajudar o varejista – É justamente essa capacidade de interpretar mudanças de comportamento que está no centro da estratégia da SB Analytics. A Shopping Brasil é a grande referência em ofertas no país, monitorando diariamente os principais varejistas nacionais e regionais a partir de anúncios veiculados em mídias sociais, campanhas em TV, encartes físicos e digitais.
A Vertical é uma empresa especializada em análise e interpretação de dados relacionados ao comportamento do consumidor e do mercado. A partir da coleta, organização e leitura estratégica de informações de consumo, comportamento de compra e indicadores de mercado, a companhia transforma dados em diagnósticos, insights e planos de ação direcionados, aplicáveis ao varejo e à indústria.
À frente da SB Analytics, além de Felipe Santarosa, está Tuca Sardinha. Ambos, sócios na Vertical, são executivos com longa trajetória nos mercados de varejo, marketing e inteligência de mercado. “A Shopping Brasil sempre esteve muito próxima do varejo e do fabricante e acumulou uma grande quantidade de informações sobre categorias, preços e promoções. A SB Analytics, com a expertise da Tuca e do Felipe, nasce para transformar informação em decisão e decisão em performance olhando a necessidade individual de cada cliente”, diz Minoru Wakabayashi, CEO da Shopping Brasil.
Como diz Wakabayashi, as empresas em geral têm muitos dados, mas o desafio é transformá-los em respostas que possam impactar diretamente os seus negócios. “Empresas têm uma enorme quantidade de dados, mas muitas vezes não conseguem extrair todo o valor dessas informações. Nosso trabalho é organizar, interpretar e traduzir esses dados gerando as melhores decisões”, argumenta o executivo.








