Vendas

Parcelamento sem cartão se torna novo meio de pagamento e muda a disputa entre marketplaces

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Com mercado estimado em R$ 205 bilhões por ano e presente em mais da metade dos e-commerces brasileiros, crédito integrado impulsiona vendas e transforma serviços financeiros em vantagem competitiva

A competição entre os marketplaces está entrando em uma nova fase. Se durante anos a diferenciação esteve concentrada em preço, logística e variedade de produtos, agora o crédito começa a ocupar um papel estratégico na conquista e retenção de consumidores. Segundo estudo da consultoria GMattos, encomendado pela Pagaleve, o mercado de Buy Now, Pay Later (BNPL) tem potencial para movimentar R$ 205 bilhões por ano no Brasil. Ao mesmo tempo, levantamento mais recente da própria GMattos mostra que 54,2% dos e-commerces brasileiros já oferecem alguma modalidade de parcelamento sem cartão, demonstrando que esse tipo de serviço deixa de ser um diferencial pontual para se consolidar como parte da estratégia competitiva do comércio eletrônico.

Esse avanço acompanha uma mudança no comportamento do mercado. Em vez de atuar apenas como alternativa de pagamento, o crédito também funciona como uma ferramenta para ampliar conversão, elevar o ticket médio e aumentar a recorrência de compras, fortalecendo a relação entre consumidores e marketplaces.

O crescimento desse modelo também está ligado à inclusão financeira. De acordo com o estudo da GMattos, mais de um terço dos adultos brasileiros não possui cartão de crédito, cenário que limita o acesso ao parcelamento tradicional e amplia o espaço para modalidades alternativas de financiamento. Ao reduzir essa barreira, os marketplaces conseguem alcançar novos consumidores e expandir seu potencial de vendas.

Esse movimento já pode ser observado nas principais plataformas do país. Nos últimos meses, marketplaces intensificaram investimentos em soluções de crédito integradas à jornada de compra. Algumas das principais iniciativas do mercado incluem:

  • Shopee: lançou o SParcelado, modalidade que permite parcelar compras em até 12 vezes sem cartão de crédito, com a primeira parcela em até 40 dias.
  • Mercado Livre: Mercado Crédito, solução integrada ao Mercado Pago que amplia as opções de parcelamento e de crédito para consumidores elegíveis.
  • Magazine Luiza: Carnê Digital MagaluPay, que permite compras parceladas sem cartão de crédito para clientes pré-aprovados.
  • Amazon: reforçou sua estratégia financeira por meio da parceria com o Nubank, oferecendo benefícios e condições diferenciadas aos clientes do cartão co-branded.

Para os sellers, o principal impacto dessa transformação está na necessidade de acompanhar o aumento da demanda. Mais consumidores aprovados significam maior volume de pedidos e exigem operações capazes de manter estoques sincronizados, catálogos atualizados e integração entre diferentes canais de venda.

“O crédito não funciona apenas como forma de pagamento. Ele se tornou parte da estratégia de crescimento dos marketplaces. Hoje, a competitividade também passa pela capacidade de oferecer uma experiência financeira integrada ao processo de compra”, afirma Victor Cobo, CEO do ANYMARKET.

Essa mudança altera a lógica de competição entre as plataformas. Além de disputar consumidores por preço, logística e variedade de produtos, os marketplaces também competem pela capacidade de oferecer serviços financeiros que ampliem o acesso ao consumo e fortaleçam a fidelização.

Nesse modelo, o risco da operação permanece, na maior parte dos casos, com a instituição responsável pela concessão do crédito, enquanto o seller recebe normalmente pela venda. O desafio para os vendedores é operacional. Eles precisam estar preparados para absorver o crescimento da demanda sem comprometer estoque, logística ou reputação.

Para o ANYMARKET, hub de integração do Grupo DB1 especializado em operações de marketplace, o avanço das modalidades de crédito reforça a importância de uma operação preparada para ganhar escala. A plataforma conecta sellers a mais de 150 marketplaces, centraliza pedidos, estoques e catálogos em um único ambiente e sustenta operações de alto volume, com mais de 1,5 milhão de anúncios publicados por mês, cerca de 200 mil pedidos importados por dia e mais de 300 mil rupturas de estoque evitadas diariamente. 

“Quanto maior a oferta de crédito, maior tende a ser o fluxo de pedidos. Por isso, o diferencial dos sellers passa a estar menos na capacidade de vender e mais na capacidade de operar de forma integrada e que sustente o crescimento de vendas, mantendo eficiência mesmo em cenários de crescimento acelerado”, afirma Cobo.

O avanço do Open Finance, do Pix Parcelado e de modelos mais sofisticados de análise de crédito deve acelerar essa transformação nos próximos anos. Nesse cenário, marketplaces disputarão consumidores não apenas pela melhor oferta ou pela entrega mais rápida, mas também pela capacidade de oferecer uma infraestrutura financeira eficiente. Para os sellers, a competitividade dependerá cada vez mais da integração operacional para transformar essa nova demanda em crescimento sustentável.

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