Negócios

Pequenas empresas crescem no faturamento, mas travam na gestão e perdem margem no Brasil

2 Mins read

Empresas vendem mais, mas, segundo Raphael Costa, seguem pressionadas por falhas de gestão, centralização e falta de processos 

O Brasil abriu mais de 4 milhões de pequenos negócios em 2025, segundo dados do Sebrae com base em registros oficiais, mantendo o ritmo acelerado do empreendedorismo nacional. O avanço confirma a disposição dos brasileiros para empreender, mas também expõe um gargalo recorrente: empresas aumentam vendas, contratam mais e ampliam operação sem criar estrutura de gestão capaz de sustentar o crescimento. O resultado costuma aparecer em forma de queda de margem, desorganização financeira e dependência excessiva do fundador.

Para Raphael Costa, autor e presidente do Grupo 220, organização voltada à formação de lideranças e aceleração de empresas, crescer sem base interna sólida é um dos erros mais comuns entre negócios emergentes. “Muitos empresários confundem aumento de faturamento com evolução empresarial. Vender mais não significa estar mais saudável. Quando a estrutura não acompanha, o crescimento vira pressão”, afirma.

Levantamento do IBGE mostra que micro e pequenas empresas seguem relevantes para emprego e renda no país, mas enfrentam desafios ligados à produtividade e longevidade. Parte significativa dos negócios fecha nos primeiros anos por falhas de planejamento, gestão de caixa, ausência de processos e dificuldade para formar equipes estáveis.

Segundo Costa, o problema se agrava quando toda decisão passa pelo dono. “Há empresas que crescem, mas continuam operando como se fossem negócios de uma pessoa só. O empreendedor aprova tudo, resolve tudo e centraliza tudo. Isso limita escala e cria gargalos diários”, diz.

Na prática, esse modelo impede previsibilidade. Sem indicadores claros, o empresário não sabe quais áreas geram lucro, onde há desperdício ou quais vendedores performam melhor. Também fica mais difícil treinar novos colaboradores, manter padrão de atendimento e replicar resultados em novas unidades ou canais de venda.

Outro ponto crítico é a cultura interna. Negócios que expandem rapidamente sem valores claros e rotinas consistentes costumam enfrentar turnover elevado, conflitos entre equipes e perda de identidade. “Cultura não é discurso de parede. É comportamento repetido. Quando ela não existe, cada setor trabalha de um jeito e a empresa perde velocidade”, afirma o executivo.

Especialistas em gestão recomendam que empresas em fase de expansão priorizem três movimentos: organizar processos essenciais, descentralizar responsabilidades com liderança intermediária e criar indicadores simples para acompanhar caixa, vendas e produtividade. A profissionalização costuma custar menos do que corrigir problemas depois.

Costa defende que o empresário mude de função à medida que o negócio cresce. “No início, o dono vende, atende e resolve urgências. Depois, precisa virar estrategista. Quem insiste em permanecer só na operação trava a própria empresa”, afirma.

Com o empreendedorismo em alta, a diferença entre crescer e permanecer relevante tende a depender menos da capacidade de vender e mais da capacidade de organizar. Para milhares de pequenas empresas brasileiras, o próximo salto não está no mercado externo, no marketing ou em novas linhas de receita, mas dentro de casa.

Related posts
BusinessNegócios

Arrasta Para Cima anuncia edição histórica em setembro com grandes nomes do empreendedorismo

2 Mins read
São Paulo (SP) receberá, nos dias 5 e 6 de setembro, a maior edição da história do Arrasta Para Cima, movimento idealizado…
BusinessNegócios

Empresas brasileiras podem ter até 100% de subsídio para participar de feiras de negócios na Rússia

2 Mins read
Em parceria com o ITE Group, maior organizadora de feiras B2B em mercados emergentes, a ApexBrasil cobre 90% do custo de exposição…
Negócios

SLA se torna cada vez mais estratégico por ajudar empresas a obter resultados mensuráveis

4 Mins read
Especialista aponta que acordos de nível de serviço deixaram de ser exclusividade da área de TI e passaram a influenciar diretamente a…