Informações

Política comercial: blindagem do lucro ou armadilha silenciosa?

2 Mins read
Marcelo Caetano-Créditos da foto: Divulgação
Marcelo Caetano-Créditos da foto: Divulgação

Por Marcelo Caetano, sócio da VendaMais*

A política comercial de uma empresa deveria ser o mapa que orienta vendedores, garante previsibilidade de resultados e protege a rentabilidade. Na prática, porém, muitas organizações convivem com regras frágeis ou inconsistentes que, em vez de impulsionar, minam o desempenho. O que parece flexibilidade vira permissividade, e o que se chama de “agilidade” acaba sendo apenas improviso disfarçado. O resultado: margens corroídas, energia desperdiçada e clientes confusos diante de decisões pouco claras.

Os números reforçam a gravidade do problema. Estudos da PwC indicam que empresas brasileiras podem perder entre três e cinco pontos percentuais de margem líquida em razão de políticas comerciais mal estruturadas. Já a EY mostra que líderes de vendas dedicam até 30% de seu tempo a renegociações e exceções, tempo que deveria ser investido em estratégia, capacitação da equipe e relacionamento com clientes-chave. Em vez de motor de crescimento, a liderança acaba funcionando como central de aprovações emergenciais.

As situações mais comuns são conhecidas: descontos sem critério que destroem a rentabilidade, prazos de pagamento longos que sufocam o fluxo de caixa, portfólios mal trabalhados com foco apenas nos itens mais fáceis de vender e excesso de decisões concentradas no diretor, que perde energia “apagando incêndios”. Quando a política comercial não oferece clareza, o vendedor se sente inseguro, o cliente percebe inconsistência e a confiança em toda a cadeia se fragiliza.

Há quem argumente que flexibilizar regras comerciais é necessário para manter competitividade. De fato, mercados dinâmicos exigem adaptação rápida. Mas flexibilidade não é sinônimo de ausência de critérios. A diferença está em estabelecer limites claros que permitam ao vendedor negociar dentro de faixas previamente definidas, garantindo previsibilidade e evitando a dependência de decisões individuais a cada operação. Sem isso, o que se ganha em velocidade perde-se em sustentabilidade de resultados.

A experiência de empresas que revisaram suas políticas mostra um caminho possível. Ao alinhar alçadas de desconto, definir faixas de precificação e priorizar clientes estratégicos, líderes relatam ganhos concretos: redução de até 30% no tempo gasto em renegociações internas, previsibilidade maior de margem e foco ampliado no retorno da carteira de clientes. Ou seja, políticas comerciais bem desenhadas não engessam, ao contrário, libertam o time para atuar de forma mais estratégica.

No fim, a questão central não é apenas se a política comercial gera lucro imediato, mas se ela sustenta o resultado ao longo do tempo. Em um cenário de margens apertadas e alta competitividade, operar sem clareza e disciplina equivale a navegar sem bússola. A pergunta que todo executivo deveria se fazer é simples, mas decisiva: a política comercial da empresa está protegendo o lucro, ou matando silenciosamente o resultado?

*Marcelo Caetano é empresário e sócio do Grupo VendaMais. Tem 30 anos de experiência, é especialista em transformação comercial. Reconhecido por vendas, liderança e transformação digital. Já treinou mais de 100 mil profissionais e é autor de três livros.

Related posts
Informações

Rotina de trabalho faz 37% das mulheres adiarem compromissos de saúde, mostra Catho

2 Mins read
Levantamento realizado pela plataforma revela ainda que 11% estão há mais de dois anos sem realizar mamografia e evidencia os desafios do…
Informações

Foton iBlue conquista Selo de Maior Valor de Revenda entre caminhões elétricos

3 Mins read
A Foton recebeu o Prêmio e o Selo de Maior Valor de Revenda na categoria Veículos Comerciais Elétricos, concedidos pela Agência AutoInforme,…
Informações

Novo indicador revela setores que lideram ranking de intensidade de litigância na Justiça do Trabalho

3 Mins read
Levantamento inédito, que analisou mais de 5,04 milhões de novos processos, coloca o setor de refino de petróleo no topo da lista….