Empresários contam quais sinais, oportunidades e mudanças de mentalidade podem marcar o início da jornada empreendedora
O que faz alguém decidir empreender? Para alguns, a resposta está no desejo de ter mais autonomia. Para outros, na identificação de uma oportunidade, na vontade de transformar uma experiência profissional em negócio ou até no incômodo com os limites da carreira tradicional. Embora as motivações sejam diferentes, a decisão costuma marcar uma mudança importante: deixar de apenas imaginar uma possibilidade para assumir o risco de colocá-la em prática.
O movimento ganha força em um país onde o empreendedorismo segue em expansão. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram abertos 2,9 milhões de pequenos negócios no Brasil, número 12% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados do DataSebrae. Para Ycaro Martins, especialista em negócios de alta performance e CEO da Maxymus Expand, a decisão de empreender precisa ir além do desejo de ter o próprio negócio. “Não é só vender, não é só querer. Você precisa ter processos claros e muito bem definidos, análises e planos de ação que vão trazer os resultados verdadeiros”, afirma.
É essa “virada de chave” que empresários de diferentes setores relatam:
Renata Barbalho, fundadora e CEO da Espanha Fácil, assessoria especializada em intercâmbio e imigração.
“Empreender começa quando enxergamos um propósito e uma oportunidade onde a maioria vê apenas um obstáculo”.
Quando Renata Barbalho desembarcou em Madrid, em 2005, o plano era concluir uma especialização e retornar ao Brasil para buscar estabilidade como funcionária pública. No entanto, a pernambucana não encontrou profissionais que a ajudassem no processo de imigração e teve que aprender a lidar com a burocracia sozinha. Com o conhecimento adquirido, a jovem passou a ajudar informalmente os amigos brasileiros e com o aumento da demanda, percebeu a oportunidade de estruturar um negócio aos 22 anos. Assim surgiu a Espanha Fácil, que já ajudou mais de 160 mil brasileiros.

Fernando Masetti, Michael Franco e Miguel Senegalha de Souza, sócios-fundadores da Tenvê, startup especializada em vistorias cautelares veiculares
“Percebemos que a tecnologia que já dominávamos poderia resolver um gap de um mercado tradicional e transformar a vistoria cautelar em um serviço mais escalável, padronizado e acessível.”
Identificamos uma oportunidade no mercado de vistorias e unimos nossas competências para criar um modelo diferente de negócio. A Tenvê nasce justamente dessa combinação, usando tecnologia e Inteligência Artificial para modernizar um serviço tradicional, sem abrir mão da validação técnica e da segurança que o consumidor precisa.

Fritz Paixão, fundador e CEO da CleanNew, rede de franquias especializada em higienização e conservação de estofados
“A virada de chave foi perceber que as pessoas não queriam mais simplesmente trocar seus bens, mas sim, encontrar formas de conservá-los e prolongar sua vida útil.”
Começamos atendendo uma demanda que surgiu de forma muito prática, com a lavagem de estofados em condomínios de alto padrão. Percebemos que existia um mercado maior por trás daquela necessidade e que a conservação poderia se tornar uma alternativa à substituição. Foi quando entendemos que era possível transformar um serviço em um negócio escalável, estruturado em franquias, e acompanhar uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a valorizar mais a manutenção e a durabilidade dos seus estofados.

Antony Fedlallah, CEO e fundador da PitCap, primeira franquia brasileira de vending machines para higienização de capacetes.
“O empreendedor precisa aprender a enxergar como fazer a diferença na vida das pessoas. Foi assim que percebi como, com milhões de motocicletas circulando, não havia ainda um serviço de higienização de capacetes”.
Foi olhando para os mais de 38,4 milhões de motos em circulação no Brasil, segundo o Senatran, que após mais de quatro décadas no setor de confecção, vi uma oportunidade de desenvolver uma tecnologia para higienização de capacetes. Com isso, nasceu a PitCap, pioneira em vending machines que eliminam 99,9% dos fungos e bactérias deste item de segurança essencial para motociclistas. Ao enxergar esse “mercado invisível”, consolidamos uma microfranquia que hoje já está presente em diferentes regiões do Brasil.

Angelo Max Donaton, CEO e fundador da Lavô, maior rede de lavanderias self-service do Brasil.
“Quando inauguramos a primeira unidade, o que nos guiou foi a certeza de que todo mundo precisa lavar roupa, mas podemos democratizar o acesso às lavanderias. E deu certo”.
Em 2017, quando soube que uma amiga passaria seis meses na estrada viajando pela América do Sul, imaginei muitos desafios, mas nenhum envolvia uma saga para lavar roupa. Preso ao escritório em que atuava como representante comercial com 25 anos de experiência, não pude largar o trabalho para me juntar à aventura, mas acabei acompanhando os perrengues à distância. Do Brasil, tive a ideia que mudaria minha vida e me transformaria em empreendedor: uma rede de lavanderias self-service que se tornou a maior do Brasil, a Lavô, que, atualmente conta com mais de 700 unidades inauguradas.

Felipe Buranello e Eduardo Pirré, fundadores da Maria Brasileira, maior rede de limpeza residencial e empresarial do país
“A virada de chave foi entender que uma mudança na legislação estava criando uma oportunidade para um problema que já existia”
Percebemos que o mercado estava mudando e que existia uma demanda cada vez maior por serviços de limpeza mais flexíveis. A PEC das Domésticas foi um divisor de águas porque fez muitas famílias repensarem o modelo de contratação. Para nós, foi o momento em que ficou claro que havia uma oportunidade de transformar uma necessidade do consumidor em um negócio escalável.

A decisão de empreender pode ser o primeiro passo, mas não é suficiente para sustentar um negócio no longo prazo. “Pensar grande é o primeiro passo. Agir com método, disciplina e estratégia é o que transforma visão em legado”, finaliza Martins.








