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Queda de 1 ponto no juro do financiamento imobiliário pode reduzir parcela em quase 7% e ampliar acesso ao crédito, diz especialista

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Simulações mostram que pequenas quedas nas taxas imobiliárias geram impacto no orçamento das famílias

O ano virou e a taxa básica de juros (Selic) continua em 15%, seu maior nível em 20 anos, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que iniciará um ciclo de corte de juros em março. A expectativa do mercado é alta, especialmente do setor imobiliário, cujas taxas de financiamento devem acompanhar a queda da Selic.

De acordo com simulações realizadas pela URBS Imobiliária, uma das maiores do Centro-Oeste, indica que a redução de apenas 1 ponto percentual na taxa do financiamento imobiliário já seria suficiente para provocar um alívio no orçamento das famílias e ampliar o acesso ao crédito. A queda diminuiu em quase 7% o valor da parcela mensal, com impacto no enquadramento de renda exigido pelos bancos.

Segundo Ricardo Teixeira, especialista no mercado imobiliário e sócio da URBS Imobiliária, o efeito da queda dos juros é proporcional e previsível. “Desde que o prazo e a entrada sejam os mesmos, a redução se repete em qualquer valor de imóvel. Uma queda de 1 ponto percentual gera, em média, quase 7% de alívio na parcela”, explica.

Nos cálculos da imobiliária, um imóvel de R$ 300 mil teria a prestação reduzida de R$ 2.355,95 para R$ 2.192,06, uma economia mensal de R$ 163,89. No financiamento de um imóvel de R$ 500 mil, a parcela cai de R$ 3.926,58 para R$ 3.653,43, reduzindo o custo mensal em R$ 273,15. Já para um imóvel de R$ 800 mil, o desconto chega a R$ 437,04 por mês.

Mais do que o valor economizado, o principal efeito aparece na renda mínima exigida para aprovação do financiamento. Pela regra adotada pelos bancos, a parcela não pode comprometer mais do que 30% da renda bruta familiar. Com a queda dos juros, essa barreira diminui e permite a entrada de novos compradores.

Em uma simulação de imóvel de R$ 500 mil, com entrada de 20% e prazo de 30 anos, a renda mínima exigida com juros de 12% ao ano é de R$ 13.088,60. Com a taxa reduzida para 11%, esse patamar cai para R$ 12.178,10, uma diferença de R$ 910,50 por mês. “É esse ajuste que muda o jogo para muitas famílias”, afirma Ricardo.

Na avaliação de Ricardo, o impacto é especialmente relevante para quem busca a primeira moradia, perfil que costuma operar muito próximo do limite de renda exigido pelas instituições financeiras. “Para essas famílias, uma redução aparentemente pequena nos juros é decisiva”, afirma.

Quem pretende trocar de imóvel também se beneficia. Com parcelas menores, o comprador ganha poder de compra e pode financiar um valor maior ou assumir um novo imóvel com mais conforto no orçamento. “Mesmo antes de um ciclo mais consistente de queda da Selic, qualquer ajuste nas taxas já destrava demanda e movimenta o mercado”, pontua.

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