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Quer ganhar em dólar? Visto E-2 abre caminho para empreender nos EUA

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Modalidade permite abrir ou adquirir empresas nos Estados Unidos, mas exige nacionalidade elegível, investimento substancial e planejamento para quem deseja se mudar em 2027

Abrir uma empresa nos Estados Unidos, receber em dólar e construir uma fonte de renda no exterior são objetivos de brasileiros que planejam mudar de país em 2027. Entre as alternativas migratórias disponíveis está o visto E-2, que permite a investidores estrangeiros desenvolver e administrar negócios em território americano. A modalidade não exige um investimento mínimo fixado em lei, mas estabelece critérios relacionados à nacionalidade, à origem dos recursos e à viabilidade econômica da empresa.

Segundo Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, professor honorário da Universidade de Oxford e fundador da Toledo e Advogados Associados, a decisão de empreender nos Estados Unidos deve considerar não apenas a obtenção do visto, mas também a capacidade de gerar receita suficiente para manter a operação e sustentar a família.

Uma das principais preocupações de quem pretende imigrar é justamente a renda. Muitos brasileiros chegam aos Estados Unidos com reservas financeiras acumuladas em reais e precisam arcar com despesas em dólar, como aluguel, alimentação, transporte, seguro-saúde e educação dos filhos. Nesse cenário, desenvolver uma atividade empresarial que gere receitas na moeda americana pode reduzir a dependência das oscilações cambiais.

Quem pode solicitar o E-2 e quanto é necessário investir?

O E-2 é destinado a cidadãos de países que mantêm tratados específicos com os Estados Unidos. Como o Brasil não faz parte dessa lista, brasileiros precisam possuir outra nacionalidade elegível, como a italiana, portuguesa, espanhola ou alemã.

Portugal passou a integrar o programa em 2024, ampliando as possibilidades para brasileiros com cidadania portuguesa. Entretanto, pessoas que adquiriram a nacionalidade elegível por meio de investimento financeiro estão sujeitas, em regra, à exigência adicional de três anos de domicílio contínuo no país correspondente.

Diferentemente do EB-5, que prevê valores mínimos de investimento para a obtenção do Green Card, o E-2 não estabelece um aporte fixo de US$100 mil ou US$200 mil.

O valor necessário depende do tipo de empreendimento. Uma consultoria pode exigir uma estrutura mais enxuta do que um restaurante, uma franquia ou uma operação industrial.

O investidor precisa demonstrar que o capital aplicado é substancial em relação ao custo do negócio, que os recursos possuem origem lícita e que estão efetivamente comprometidos com a atividade empresarial.

Também é necessário apresentar um empreendimento real e operacional, com capacidade de gerar resultados econômicos superiores à simples manutenção básica do investidor e de sua família.

Quais empresas podem ser abertas nos Estados Unidos?

O programa não determina um setor específico de atuação. O empresário pode abrir um novo negócio, adquirir uma empresa existente ou investir em uma franquia.

Entre as possibilidades estão restaurantes, cafeterias, empresas de tecnologia, consultorias empresariais, serviços de limpeza e manutenção, comércio, distribuição de produtos e negócios de marketing.

Franquias também podem representar uma alternativa para investidores que preferem modelos de operação já estruturados. Entretanto, é necessário avaliar custos, taxas, concorrência, demanda local e rentabilidade.

Empresas de serviços podem exigir investimentos iniciais menores, mas precisam comprovar atividade comercial efetiva e condições de crescimento.

Já a compra de imóveis para valorização patrimonial ou recebimento passivo de aluguéis, por si só, não atende aos requisitos do E-2. O visto exige uma empresa operacional, e não apenas a manutenção de ativos financeiros.

Ganhar em dólar pode trazer mais segurança financeira?

Uma das vantagens de estabelecer uma empresa nos Estados Unidos é a possibilidade de gerar receita na mesma moeda utilizada para pagar as despesas familiares.

Quando uma família depende exclusivamente de recursos enviados do Brasil, a valorização do dólar pode elevar significativamente o custo de vida.

Em um exemplo hipotético, uma despesa mensal de US$5 mil representa R$ 25 mil com o dólar a R$ 5. Se a cotação subir para R$ 6, o mesmo orçamento passa a exigir R$ 30 mil, uma diferença de R$ 5 mil por mês.

Para quem mantém receitas em dólar, essa exposição cambial tende a ser menor em relação às despesas americanas. Além disso, a renda internacional pode contribuir para a diversificação patrimonial e reduzir a concentração dos recursos na economia brasileira.

Entretanto, faturamento não significa lucro. Uma empresa que recebe US$ 20 mil mensais pode apresentar resultado financeiro limitado após despesas com funcionários, aluguel, impostos, fornecedores e manutenção.

O empresário também precisa considerar que negócios recém-abertos podem levar meses ou anos para atingir estabilidade financeira. Por isso, a renda em dólar deve ser tratada como um objetivo empresarial, e não como uma consequência garantida da obtenção do visto.

Como se preparar para empreender em 2027?

O planejamento pode começar ainda em 2026, especialmente para quem pretende mudar de país com a família.

  1. Verificar a elegibilidade. O primeiro passo é confirmar a nacionalidade exigida pelo E-2, avaliar o patrimônio disponível e identificar se o perfil do interessado atende às regras migratórias.
  2. Escolher o negócio e a localização. É necessário estudar o mercado americano, a concorrência, os custos de operação e as exigências de licenciamento. Estados como Flórida e Texas podem ser considerados, mas a escolha deve depender da viabilidade econômica do empreendimento.
  3. Organizar os recursos financeiros. Além do investimento na empresa, o interessado deve reservar dinheiro para as despesas familiares. Como referência de planejamento, uma reserva de seis a doze meses de custo de vida pode oferecer maior margem de segurança, dependendo da composição familiar e das projeções do negócio.
  4. Estruturar a operação. Essa etapa envolve abertura da empresa, elaboração do plano de negócios, contratação de serviços, obtenção de licenças e comprometimento efetivo do capital necessário.
  5. Preparar o pedido migratório. Com a documentação empresarial e financeira organizada, o investidor poderá solicitar o visto, seguindo os procedimentos aplicáveis ao consulado responsável.

Quanto tempo leva para conseguir o visto?

Não existe um prazo único para a obtenção do E-2. O tempo varia conforme a complexidade do empreendimento, a documentação apresentada, a disponibilidade de entrevistas consulares e eventuais verificações adicionais.

Para fins de planejamento, a preparação de um projeto pode levar aproximadamente quatro a oito meses, considerando a estruturação da empresa e a organização do processo migratório. Essa estimativa não representa um prazo oficial de aprovação.

Quem deseja iniciar suas atividades em 2027 deve evitar comprometer todo o patrimônio antes de avaliar os riscos jurídicos e financeiros da operação.

Outro aspecto importante é que o E-2 permite incluir o cônjuge e filhos solteiros menores de 21 anos. O cônjuge pode trabalhar nos Estados Unidos conforme as regras aplicáveis ao seu status, enquanto os filhos podem estudar no país.

Quando o E-2 vale a pena?

O visto pode ser interessante para empresários que já possuem experiência de gestão, desejam participar diretamente de uma operação comercial e contam com recursos para investir e manter o negócio até que ele alcance estabilidade.

Também pode atender famílias que pretendem construir uma fonte de renda nos Estados Unidos e desenvolver uma atividade econômica no país.

Por outro lado, a modalidade pode não ser adequada para quem busca apenas investimentos passivos, não possui nacionalidade elegível ou deseja obter residência permanente diretamente.

O E-2 é um visto temporário e não concede automaticamente o Green Card. Sua continuidade depende da manutenção dos requisitos migratórios e da atividade empresarial.

Para brasileiros que planejam mudar de país em 2027, o desafio não é apenas conseguir autorização para empreender. É construir uma operação financeiramente sustentável, capaz de gerar receita em dólar e oferecer condições para que a família mantenha seu padrão de vida sem depender exclusivamente das reservas acumuladas no Brasil.

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