Transição para CBS e IBS, além do split payment, deve impactar fluxo de caixa, formação de preços e decisões operacionais das empresas do setor
A partir de 2027, o setor de combustíveis começa a entrar em uma nova fase da reforma tributária, que terá implementação gradual até 2033. Para empresas que atuam em uma cadeia marcada pela tributação monofásica e pela complexidade regulatória, a mudança vai além da substituição de tributos e exigirá uma revisão de processos, sistemas, modelos de precificação e planejamento financeiro.
A substituição de PIS e Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o início da implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) colocam no centro da discussão temas como cálculo de tributos, apropriação de créditos e formação de preços. Segundo Cristian Bazaga, CEO da Excel Fueling Technologies, a adaptação deve envolver diferentes áreas das empresas, especialmente financeira, fiscal e comercial.
“A reforma tributária não deve ser encarada apenas como uma mudança na área fiscal. Ela pode alterar a forma como o capital circula dentro das empresas, como os preços são formados e como as decisões operacionais são tomadas. Por isso, a preparação precisa começar antes da entrada efetiva das novas regras, com revisão de processos, sistemas e cenários financeiros”, afirma Bazaga.
Outro ponto de atenção para o setor é o split payment, mecanismo que prevê o recolhimento dos tributos no momento da liquidação financeira das operações. A mudança pode trazer maior eficiência e reduzir distorções no sistema de arrecadação, mas também tende a alterar a dinâmica do fluxo de caixa das empresas.
Em um mercado que trabalha com margens pressionadas e elevado volume de capital empregado, mudanças na disponibilidade e no momento de utilização dos recursos podem ter efeitos relevantes sobre a operação. Por isso, a avaliação dos impactos financeiros deve fazer parte do planejamento da transição.
“A previsibilidade será um fator importante durante esse período. Empresas que começarem agora a simular cenários, adaptar sistemas, revisar processos e fortalecer sua governança terão mais clareza para tomar decisões de investimento e preservar sua eficiência operacional ao longo da transição”, destaca o CEO da Excel.
Para Bazaga, a reforma também pode representar uma oportunidade de modernização para o setor, desde que as empresas tratem a mudança como uma transformação de gestão e não apenas de conformidade tributária. “Toda grande mudança regulatória cria diferentes níveis de preparação. No setor de combustíveis, o diferencial estará na capacidade de transformar uma estrutura tributária mais complexa durante a transição em processos mais eficientes, integrados e previsíveis. Mais do que entender os novos tributos, será necessário compreender como eles vão impactar a forma de planejar, investir e operar”, conclui.








