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Reforma tributária: saiba como as novas regras afetam as pequenas empresas

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Mudanças nos impostos sobre consumo podem afetar preços, margens e relações com clientes e fornecedores 

Para o pequeno empresário, a reforma tributária pode parecer um assunto distante, cheio de siglas e restrito ao contador. Na prática, porém, as mudanças podem chegar a decisões bastante comuns do dia a dia: quanto cobrar por um produto ou serviço, de quem comprar, para quem vender e, principalmente, quanto efetivamente sobra no caixa depois dos custos e impostos. 

Uma das principais mudanças é a criação de dois novos tributos sobre o consumo: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de âmbito federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que reunirá tributos estaduais e municipais. A implantação será gradual. Em 2026, empresas e profissionais vivem uma etapa de adaptação e, a partir de 2027, PIS e Cofins serão extintos, com a CBS assumindo seu lugar. 

Mas o que isso muda para uma pequena empresa? 

A principal diferença é que olhar apenas para a porcentagem de imposto cobrada sobre uma venda pode não ser suficiente para entender o impacto da reforma. O empresário também precisará observar os impostos relacionados às suas compras, sua margem de lucro, o preço final, quem são seus fornecedores e até quem compra seus produtos ou serviços. 

Segundo Phillipe Enke Mathieu, CEO da GFX – Inteligência Financeira, a recomendação é não esperar que todas as mudanças estejam em vigor para começar a analisar o negócio. “O pequeno empresário precisa entender como as novas regras podem afetar o dinheiro que entra e sai. Preço, margem, cliente e fornecedor passam a ter uma relação ainda mais próxima com a tributação. Quem fizer essa análise com antecedência terá mais condições de tomar boas decisões”, explica. 

Por que clientes e fornecedores entram nessa conta? 

Um dos conceitos importantes para entender a reforma é o de crédito tributário. De forma simplificada, no novo sistema uma empresa poderá, em determinadas situações, aproveitar o imposto pago ou gerado nas etapas anteriores da cadeia para compensar parte do tributo devido posteriormente. 

Isso significa que não importa apenas quanto uma empresa vende. A forma como ela compra também deve ganhar mais atenção. Por exemplo, uma empresa que compra um produto de um fornecedor e depois o revende. No novo modelo, os tributos relacionados à compra podem gerar créditos que serão considerados na tributação da etapa seguinte. Por isso, saber de quem a empresa compra, como essa operação é tributada e se as informações fiscais estão corretas passa a ser ainda mais importante. 

O mesmo raciocínio ajuda a entender por que o perfil do cliente pode fazer diferença. Uma empresa que vende diretamente para o consumidor final pode enfrentar uma dinâmica diferente daquela que trabalha com empresas, que também estarão inseridas nessa cadeia de créditos tributários. 

E quem está no Simples Nacional? 

A reforma mantém o tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional, regime que reúne diversos impostos em uma única sistemática de pagamento. Mas isso não significa que essas empresas possam simplesmente ignorar as mudanças. 

Com a reforma, surgem possibilidades diferentes para o tratamento do IBS e da CBS. Dependendo da situação, a empresa poderá manter esses tributos dentro do regime simplificado ou optar pelo recolhimento conforme as regras do regime regular. 

Na prática, não existe uma escolha automaticamente melhor para todas as empresas. Uma pequena empresa que vende principalmente para pessoas físicas, por exemplo, pode ter uma realidade diferente daquela que fornece produtos ou serviços para outras empresas.  

Um exemplo ajuda a entender 

Imagine duas pequenas empresas que vendem o mesmo produto por R$ 100. A primeira sabe exatamente quanto pagou pela mercadoria, conhece a margem que obtém em cada venda, mantém seus cadastros fiscais atualizados, conhece o perfil de seus fornecedores e clientes e já começou a simular como as novas regras podem afetar o negócio. 

A segunda conhece o preço de venda, mas não acompanha com a mesma precisão a margem por produto e pretende avaliar os efeitos da reforma somente quando eles começarem a aparecer no caixa. 

As duas podem vender o mesmo produto pelo mesmo preço hoje, mas chegar a 2027 em situações bastante diferentes. A primeira terá mais informações para avaliar se precisa renegociar compras, alterar preços ou rever sua margem. A segunda poderá descobrir esses impactos somente depois que eles começarem a afetar o resultado. 

“Deixar para olhar tudo na última hora é um dos principais riscos. Para a empresa, a reforma também é uma oportunidade de revisar processos que muitas vezes ficaram anos sem uma análise mais cuidadosa. Quanto melhor o empresário conhecer os próprios números, mais preparado estará para decidir”, afirma Mathieu. 

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