Cidade movimentou R$ 496 milhões em contratações no primeiro semestre de 2026 e ocupa a 7ª posição no país; avanço acompanha expansão do mercado imobiliário local
Ribeirão Preto (SP) está entre os dez municípios brasileiros fora das capitais com maior volume de financiamentos pelo Minha Casa, Minha Vida no primeiro semestre de 2026. A cidade movimentou R$ 496 milhões em empréstimos e ocupa a 7ª posição no ranking nacional, segundo levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), divulgado pelo portal Portas e elaborado a partir de dados do Portal do FGTS e da Caixa Econômica Federal, consultados em 20 de julho.
O resultado coloca Ribeirão Preto entre grandes mercados regionais do país e ganha peso diante da expansão recente do setor imobiliário local. Dados do Secovi-SP mostram que a cidade acumulou R$ 7,7 bilhões em Valor Geral de Lançamentos (VGL) nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, ante R$ 1,7 bilhão registrado em 2023.
Entre os municípios que não são capitais, Águas Lindas de Goiás (GO) lidera o ranking, com R$ 729 milhões, seguida por Sorocaba (SP), com R$ 699 milhões, e Uberlândia (MG), com R$ 650 milhões. Ribeirão Preto aparece na sétima colocação, à frente de Valparaíso de Goiás, Campina Grande e Campinas.
Para Diego Baroni, gerente comercial da Pafil Empreendimentos, a presença de Ribeirão Preto entre os principais mercados do país ajuda a dimensionar uma demanda que vai além do volume de novos projetos lançados na cidade.
“O dado mostra que existe uma demanda real por moradia e, principalmente, capacidade de transformar essa intenção em compra. Quando Ribeirão Preto aparece entre os maiores volumes de contratação do país, vemos um mercado que cresce não apenas em lançamentos, mas também no acesso das famílias ao imóvel próprio. Isso fortalece toda a cadeia imobiliária e amplia as possibilidades de novos investimentos na cidade”, afirma Baroni.
Interior paulista ganha força no mapa da habitação
São Paulo concentra cinco dos dez municípios não capitais com maior volume de contratações do “Minha Casa, Minha Vida” no período: Sorocaba, São José do Rio Preto, Guarulhos, Ribeirão Preto e Campinas. Nesse recorte, Ribeirão ocupa a quarta posição entre as cidades paulistas presentes no ranking.
A movimentação acompanha um cenário de vendas aquecidas no interior. Levantamento do Secovi-SP em 42 cidades paulistas apontou crescimento de 7,9% no número de unidades vendidas no primeiro trimestre de 2026, enquanto o Valor Geral de Vendas avançou 16,8%, alcançando R$ 9,6 bilhões no trimestre e R$ 38,5 bilhões nos últimos 12 meses.
O mesmo estudo identificou uma demanda relevante pela compra de imóveis: 49% dos entrevistados declararam intenção de aquisição, enquanto 29% planejavam comprar no curto prazo, em até um ano. Para o Secovi-SP, os resultados apontam para um mercado com demanda preservada mesmo diante dos desafios econômicos enfrentados pelo setor.
Programa movimenta R$ 79,4 bilhões no semestre
Em todo o país, o “Minha Casa, Minha Vida” movimentou R$ 79,4 bilhões em financiamentos entre janeiro e junho de 2026, crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram 349 mil unidades contratadas, alta de 21%, segundo levantamento da Abrainc realizado a partir dos dados do Portal do FGTS.
O protagonismo do programa também aparece nos indicadores de vendas. Pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), realizada em 221 cidades, mostra que o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 49% das unidades residenciais vendidas no primeiro trimestre de 2026, com 54.510 imóveis comercializados.
No mercado imobiliário como um todo, os financiamentos com recursos da poupança também aceleraram. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o SBPE financiou R$ 93,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 28,5% sobre igual período de 2025. Foram 277,1 mil imóveis financiados para aquisição ou construção, avanço de 31,7%.
Ribeirão Preto acompanha expansão do setor
A posição no ranking nacional soma-se a outros indicadores que colocam Ribeirão Preto entre os mercados relevantes do interior paulista. Além dos R$ 7,7 bilhões em lançamentos acumulados em 12 meses, a cidade integra um grupo de municípios onde empreendimentos de alto padrão já alcançam valores entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por metro quadrado, segundo o Secovi-SP.
Na avaliação de Baroni, a combinação entre acesso ao financiamento, demanda por moradia e diversificação dos empreendimentos ajuda a explicar o momento vivido pelo setor. “Ribeirão reúne diferentes perfis de compradores e um mercado que consegue oferecer produtos para essas diferentes demandas. O financiamento é uma peça importante desse cenário porque amplia o acesso e dá sustentação ao desenvolvimento habitacional da cidade”, conclui.








