Sustentabilidade

Rosatom reúne jovens de 85 países na Rússia para discutir o futuro da energia nuclear

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Fórum internacional em Obninsk, primeira cidade científica russa, recebeu mais de 700 participantes e destacou a formação de especialistas para atender à expansão global do setor nuclear


Um número recorde de 700 jovens de 85 países participou do IV Fórum Internacional da Juventude Nuclear Obninsk NEW-2026, encerrado em Obninsk, na Rússia. O encontro discutiu o papel das novas gerações na expansão do uso pacífico da energia nuclear e a necessidade de formar profissionais qualificados para uma indústria em crescimento.

A programação reuniu estudantes, jovens profissionais, autoridades, representantes de universidades e lideranças do setor nuclear global. Além dos participantes presenciais, milhares de estudantes acompanharam as atividades online por meio de 25 plataformas parceiras de transmissão, consolidando esta edição como a maior já realizada.

O fórum teve apoio da Rosatom, do governo da região local e da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI. Entre os participantes estiveram Mikhail Mishustin, primeiro-ministro da Rússia, Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, e Sama Bilbao y León, diretora-geral da World Nuclear Association. A sessão plenária contou ainda com Mikhail Chudakov, vice-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, e dirigentes de agências nucleares nacionais de países parceiros.

Cooperação internacional

O programa foi dividido em duas frentes. Pela manhã, os debates se concentraram no engajamento de jovens, na criação de projetos conjuntos por meio da cooperação internacional e no papel de Obninsk como centro de uma rede global de novas lideranças nucleares. À tarde, especialistas de diferentes instituições do setor participaram de painéis técnicos sobre inovação, formação profissional e novas tecnologias.

Um dos destaques foi a participação de Alexander Alekseev, vice-diretor do Departamento de Ciência e Integração da Organização ITER, que abordou a importância da pesquisa termonuclear e defendeu que a fusão possa se tornar uma missão de vida para cientistas e engenheiros talentosos.

O fórum também integrou uma maratona educacional de dez dias voltada a jovens profissionais de diferentes países que constroem carreira na área nuclear e em setores relacionados. Durante a programação, foram lançados os primeiros módulos do programa conjunto da Rosatom Academy com a Agência Internacional de Energia Atômica sobre gestão de recursos humanos para países que ingressam no setor nuclear, além da Obninsk Tech Summer University e do acampamento internacional feminino Invisible Force.

Dois acordos foram assinados durante o evento, na presença de Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom, Valery Falkov, ministro da Ciência e do Ensino Superior da Rússia, e Vladislav Shapsha, governador da região de Kaluga, onde fica Obninsk. Os documentos têm como objetivo promover a educação russa em engenharia nuclear no exterior e impulsionar o projeto Obninsk Tech, desenvolvido com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica.

“Nossa missão é responder ao desafio global de formar especialistas qualificados para a indústria nuclear. A crescente dependência mundial da energia nuclear exige não apenas novas tecnologias, mas também um sistema internacional de educação robusto. Em Obninsk, a primeira cidade científica da Rússia, estamos construindo exatamente esse tipo de ambiente aberto, moderno e voltado para o futuro. O cluster educacional internacional Obninsk Tech já está tomando forma aqui com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica, e os acordos assinados hoje ajudarão a ampliar a educação russa em engenharia nuclear no exterior”, afirmou Alexey Likhachev.

10 mil especialistas

Segundo projeções da Agência Internacional de Energia Atômica, a capacidade nuclear global pode triplicar até 2050. Esse avanço deve exigir não apenas novos reatores e infraestrutura, mas também dezenas de milhares de profissionais preparados para operar em um cenário energético em transformação.

Criado para responder a essa demanda, o Obninsk Tech, Centro Internacional Científico e Educacional para Formação Nuclear e Áreas Relacionadas, tem a meta de alcançar até 20% do mercado global nessa área até 2030 e formar ao menos 10 mil especialistas, sendo pelo menos metade deles estudantes estrangeiros.

Nos primeiros quatro anos de operação, o centro já capacitou mais de 5 mil pessoas de 100 países. Oito novos complexos laboratoriais foram concluídos na MEPhI, universidade-base do cluster, e estudantes de 16 países já realizam atividades práticas nesses espaços.

“O mundo está mudando, e não podemos ser observadores passivos. Estou confiante de que o Obninsk Tech será um lugar onde estudantes russos e internacionais não apenas estudarão, mas também trocarão experiências regularmente e construirão conexões horizontais capazes de transformar um grupo de indivíduos em uma equipe de criadores”, afirmou Shevchenko, reitor da MEPhI.

Durante o fórum, Likhachev também se reuniu com os novos integrantes do Impact Team 2050, conselho internacional de juventude formado por 13 jovens lideranças de 13 países. O grupo discutiu formas de ampliar o diálogo sobre o uso pacífico da energia nuclear entre as novas gerações e contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Outro momento da programação foi a apresentação do livro Principles in Action, que reúne histórias reais e práticas inspiradas na Declaração Juvenil de Cooperação Nuclear em áreas como educação, ciência, medicina e proteção ambiental.

O Fórum Internacional da Juventude Nuclear Obninsk NEW é uma das principais plataformas globais de debate sobre tecnologias, inovação e educação na indústria nuclear, com foco especial em sistemas energéticos do futuro, novos materiais e formação de talentos.

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