Modelo previsto na reforma tributária conecta liquidação financeira ao recolhimento de IBS e CBS e exige integração entre pagamento, fiscal e conciliação
A implementação do split payment prevista na reforma tributária deve mudar a forma como empresas conciliam suas transações. Com o novo modelo, IBS e CBS poderão ser segregados no momento da liquidação financeira, aproximando pagamento e recolhimento tributário dentro do mesmo fluxo.
Na prática, a operação passa a exigir integração entre documento fiscal, processamento do pagamento, liquidação e conciliação. A regulamentação prevê participação dos prestadores de serviços de pagamento nesse processo e estabelece o compartilhamento das informações necessárias à correta segregação dos valores.
Para Rodrigo Graça de Melo, vice-presidente de Produtos e Negócios da Multipagamentos, a principal mudança está na conexão entre áreas que historicamente operaram de forma mais independente.
“Pagamento e tributação passam a dividir o mesmo fluxo operacional. Isso aumenta a dependência entre sistemas e faz com que a qualidade da informação deixe de ser apenas uma questão de eficiência para se tornar parte da própria execução da transação”, afirma.
O novo desenho também aumenta a complexidade nos casos que fogem do fluxo padrão. Cancelamentos, devoluções, estornos e diferenças de valores precisarão ser refletidos não apenas no financeiro, mas também na parcela tributária associada à operação.
“É nas exceções que a infraestrutura será realmente testada. Uma venda concluída segue um fluxo previsível. O desafio começa quando a transação muda depois da liquidação e todos os participantes precisam reconstruir a mesma informação sem perder rastreabilidade”, explica Melo.
A mudança também reforça o papel da conciliação. Em vez de funcionar apenas como uma conferência posterior do que foi vendido e recebido, ela tende a ganhar importância dentro da própria arquitetura da transação.
“Quanto mais responsabilidades passam a acompanhar o pagamento, menos espaço existe para sistemas isolados. Fiscal, financeiro e conciliação precisam enxergar a mesma operação. Essa integração será um dos pontos críticos da adaptação das empresas ao novo modelo”, conclui o executivo.








