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Startup de IA capta US$ 65 bilhões e supera em 28% os investimentos de toda a Ásia

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Avanço de empresas baseadas em inteligência artificial no pipeline de investimentos mostra nova fase do mercado de inovação e amplia busca por negócios com potencial de escala global

A inteligência artificial passou a ocupar um espaço maior nas teses analisadas por investidores de venture capital, influenciando o perfil das startups que chegam ao mercado em busca de capital. A Bossa Gest, braço de gestão regulado pela CVM da Bossa Invest, observa um amadurecimento das empresas avaliadas, com negócios que apresentam não apenas protótipos, mas também receita, clientes pagantes e ganhos de eficiência mensuráveis gerados pela tecnologia. Esse cenário acompanha uma nova etapa do ecossistema de inovação, na qual investidores buscam empresas capazes de criar diferenciais competitivos e escalar globalmente. “A inteligência artificial deixou de ser uma tese específica e passou a ser uma premissa. Hoje é difícil encontrar, entre as empresas que analisamos, uma que não tenha IA em algum ponto do produto ou da operação. Por isso, o que mais nos chama atenção não é o volume, e sim a maturidade. Há 1 ano víamos muitos protótipos e provas de conceito. Hoje chegam empresas com receita, clientes pagantes e ganhos de eficiência mensuráveis gerados pela tecnologia”, afirma Paulo Tomazela, CIO da Bossa Gest.

      Esse avanço ocorre em meio a uma transformação global no mercado de venture capital, marcada pela concentração de grandes investimentos em empresas de IA. Apenas no segundo trimestre de 2026, Anthropic, Project Prometheus e DeepSeek receberam juntas US$ 84,4 bilhões, montante 10,5% superior ao total investido em venture capital na Ásia e na Europa somadas no mesmo período. Sozinha, a Anthropic captou 28% mais do que todo o investimento em venture capital registrado na Ásia no trimestre. No Brasil, o movimento ganhou relevância com a criação do Fundo de Investimento em Participações de Inteligência Artificial pelo BNDES e pela Finep, voltado ao investimento em empresas nacionais de base tecnológica. “Estamos vivendo um momento de eficiência. A IA permite que startups cheguem mais longe com times menores e menos capital, e isso muda a conta do venture capital. Vemos empresas com receita por funcionário muito superior à da geração anterior. O perfil do empreendedor também mudou: as startups já nascem com IA incorporada ao produto, ao atendimento e à operação. A corrida dos grandes modelos é de outra escala de capital. A oportunidade brasileira está nas aplicações, em usar essa tecnologia para resolver problemas concretos da nossa economia, que são enormes”, afirma Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest.

      Com a expansão da tecnologia, investidores passaram a diferenciar empresas que apenas incorporam IA aos seus produtos daquelas em que ela representa parte central do modelo de crescimento. A avaliação dessas companhias envolve fatores como capacidade técnica, mercado de atuação, diferencial competitivo, potencial de escala e possibilidade de expansão internacional. Entre os setores que começam a concentrar oportunidades estão áreas como saúde, finanças, agronegócio, indústria e software corporativo. “A pergunta que fazemos é simples: se tirarmos a IA, o negócio continua existindo? Quando a resposta é sim, a IA é uma ferramenta de produtividade, o que é positivo, mas não é diferencial. Quando é não, estamos diante de uma empresa em que a IA é a proposta de valor. Essas empresas costumam ter três características. A primeira são dados proprietários que melhoram o produto a cada uso. A segunda é a integração profunda ao fluxo de trabalho do cliente. A terceira é uma entrega mensurável, como redução de custo, aumento de receita ou decisões melhores. Sem esses três elementos, a startup corre o risco de ser apenas uma camada sobre modelos de terceiros”, explica Paulo Tomazela, CIO da Bossa Gest.

      A evolução dessas teses também se reflete no venture capital brasileiro, com maior demanda por gestoras capazes de atuar em diferentes estágios de desenvolvimento das empresas. A Bossa Gest participou do processo seletivo para gestão do FIP IA do BNDES e ficou em segundo lugar, reforçando a estratégia da companhia de ampliar sua presença em segmentos mais avançados do mercado de inovação. Essa atuação se insere em um cenário de amadurecimento do ecossistema brasileiro, com maior aproximação entre startups, investidores institucionais e o mercado de capitais. “Capital deixou de ser o principal diferencial. O gestor da próxima fase precisa agregar valor além do cheque. Isso significa conectar startups a grandes empresas como clientes e parceiras, ajudar a estruturar a gestão, preparar as empresas para a internacionalização e manter disciplina na alocação. Também temos a responsabilidade de separar o que é substância do que é modismo. A IA vai gerar grandes empresas no Brasil, e o nosso papel é ajudar a construí-las com fundamentos sólidos”, afirma Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest.

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