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Super Quarta: IPCA a 0,89% leva mercado a projetar Selic em 14,50%

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Inflação acima do esperado às vésperas das decisões do Banco Central e do Fed reforça fim do ciclo de cortes no Brasil e eleva cautela global

A Super Quarta desta semana ocorre em um momento de inflexão para a política monetária. O dado mais recente de inflação no Brasil, divulgado às vésperas das decisões, altera de forma relevante a leitura do mercado e aumenta a pressão sobre o Banco Central do Brasil, enquanto o Federal Reserve segue determinante para o fluxo global de capital. O IPCA-15 de abril avançou 0,89%, praticamente repetindo o ritmo do IPCA cheio de março, de 0,88%, segundo o IBGE, e consolidando uma sequência de dados incompatíveis com a trajetória de convergência para a meta de inflação. “A leitura dos dados recentes mostra uma deterioração clara do cenário inflacionário. Estamos rodando em níveis incompatíveis com a meta, o que reduz o espaço para flexibilização monetária”, afirma Volnei Eyng, CEO da Multiplike. Segundo ele, o contexto desta Super Quarta amplia a sensibilidade dos mercados. “Quando Brasil e Estados Unidos decidem juros no mesmo dia, o impacto sobre fluxo de capital, câmbio e percepção de risco é imediato. Com inflação pressionada aqui e juros ainda elevados lá fora, o cenário tende a exigir ainda mais cautela do Banco Central”, explica.

      Parte dessa pressão já tem origem externa. A guerra no Oriente Médio elevou os preços de energia e matérias-primas, mas o impacto ainda não foi totalmente repassado. Empresas seguem operando com estoques adquiridos a custos anteriores, o que posterga o efeito cheio sobre o consumidor. Esse atraso cria uma dinâmica mais persistente de inflação, justamente no momento em que a autoridade monetária precisa reforçar credibilidade. Com expectativas já desancorando, o Boletim Focus indica IPCA de 4,86%, acima do teto da meta, reforçando a dificuldade de estabilização no curto prazo.

      O efeito prático é uma mudança relevante na trajetória esperada para a Selic. O mercado ainda considera possível um ajuste residual, de 0,25 ponto percentual, mas já trabalha com a leitura de encerramento do ciclo de cortes. A partir daí, o cenário predominante é de juros elevados por um período prolongado, com a taxa básica encerrando o ano próxima de 14,50%. “O segundo semestre tende a ser mais duro. O crédito continuará caro, seletivo e disputado. Nesse ambiente, faz sentido antecipar decisões, reforçar caixa e garantir liquidez enquanto ainda existe alguma previsibilidade”, afirma Volnei Eyng. Em um dia que concentra decisões globais, a Super Quarta deixa de ser apenas um evento de calendário e passa a ser um divisor de expectativas para o restante do ano.

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