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Um cirurgião na China, um paciente no Brasil: o que a telecirurgia já está mudando na medicina?

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Cirurgias à distância já são realidade e ampliam o acesso a especialistas e à medicina de alta complexidade

A telecirurgia ou cirurgia remota é uma revolução na medicina moderna. Imagina precisar de uma cirurgia complexa e ser operado por um dos maiores especialistas da área – sem sair da sua cidade – ou até mesmo do seu país? Nessa técnica, o cirurgião opera a distância, controlando um robô em tempo real por meio de sistemas de alta precisão e conectividade. O procedimento é realizado por um robô cirúrgico, conectado a um console remoto. O cirurgião manipula controles (joysticks) em uma determinada cidade ou país, e os movimentos são replicados no paciente com alta precisão, na localidade que o paciente estiver através dos braços robóticos. Como o Toumai™, um robô cirurgião que promete redefinir o padrão das cirurgias minimamente invasivas. O gerente nacional de educação em cirurgia robótica da Hospcom, Eder Mattos, falou sobre os benefícios e os riscos dessa operação.

“Os benefícios são diversos, como o acesso a especialistas em regiões remotas ou qualquer lugar do mundo; maior precisão e estabilidade dos movimentos; visão 3D aumentada em até 10x; redução de tremor humano; cirurgia minimamente invasiva (menos dor e recuperação mais rápidos); menos tempo de internação; menor risco de infecção cirúrgica; possibilidade de colaboração entre equipes internacionais experts e o paciente pode ser operado por um expert global sem precisar viajar. Mas temos que falar sobre os principais riscos – não estão na técnica cirúrgica em si, mas na infraestrutura tecnológica de ambos os locais, como latência (atraso na comunicação, exemplo: delay, só pode acontecer, tendo menos de 200 ms de delay; falhas de conexão ou energia; risco cibernético (ataques ou invasões) e dependência de equipe local preparada. Por isso, a regulamentação exige redundância de sistemas e equipe presencial de backup onde o paciente esteja, pois, caso ocorra algo semelhante acima citado, a equipe local assume imediatamente o controle da cirurgia.”, esclarece o especialista.

Uma das grandes barreiras: o alto custo e a adesão dos planos de saúde

 O custo desse tipo de operação ainda é elevado e envolve a aquisição do robô (mais de um milhão de dólares) + equipamentos específicos para a limpeza e esterilização destes materiais, que tem suas particularidades e maneiras corretas de se manipular. Além da manutenção e insumos específicos para cada cirurgia, infraestrutura tecnológica avançada e dedicada, sala cirúrgica com metragem específica para comportar o robô, de 30m2 em diante e treinamento da equipe exaustivo e recorrente. Vale mencionar que não há cobertura integral pelos planos de saúde no Brasil para todos os procedimentos. Uma grande vitória: já foi sancionado a cobertura, por enquanto, do procedimento de Prostatectomia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC), no SUS.

Equipe especializada necessária

Há um padrão obrigatório para a realização do procedimento: um cirurgião especialista remoto (principal), um cirurgião especialista presencial (backup obrigatório, onde o paciente está), um cirurgião auxiliar ao lado do paciente, um ou dois anestesistas (dependendo do tempo da cirurgia), enfermagem especializada, instrumentadora, engenharia clínica, especialista clinico do robô e especialistas de TI. “No Brasil, é obrigatório ter um cirurgião qualificado ao lado do paciente. Esse profissional precisa ter a mesma capacidade técnica para assumir o procedimento imediatamente, intervir em emergências e garantir continuidade da cirurgia, e não ter nenhum risco ao paciente”, conta Mattos.

A telecirurgia é regulamentada pela Resolução CFM nº 2.311/2022 e classificada como procedimento de alta complexidade. Exige hospital com estrutura adequada, obrigatoriedade de equipe presencial, necessidade de treinamento específico e RQE (Registro de Qualificação de Especialista), requisitos rígidos de segurança tecnológica e termo de consentimento assinado pelo paciente. “A telecirurgia não elimina o cirurgião — ela expande sua presença e melhora sua habilidade, técnica e conhecimento. O maior avanço não é tecnológico, mas de acesso, levar especialistas a qualquer lugar do mundo. O principal desafio hoje não é “se funciona”, mas como escalar com segurança, custo e regulação”, afirma o gerente nacional de educação em cirurgia robótica da Hospcom.

Toumai™, o robô cirurgião

Dentro desse universo, o Toumai™ é um robô cirurgião que promete redefinir o padrão das cirurgias minimamente invasivas. Com visão 3D em alta definição e instrumentais que reproduzem o movimento humano com precisão milimétrica, o sistema oferece aos cirurgiões controle superior, conforto ergonômico e redução da fadiga em procedimentos prolongados. Segundo Eder, para os pacientes, os benefícios são imediatos: ”Incisões menores, menor perda de sangue, menos dor, menor risco de infecção e recuperação acelerada, são fatores reduzem o tempo de internação e favorecem o retorno rápido às atividades diárias. O resultado é uma jornada cirúrgica mais previsível, segura e humanizada”, conclui.

O robô já realizou algumas cirurgias com total sucesso, entre cidades brasileiras, recentemente realizadas em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). ”Também realizamos com o hospital 9 de julho e Foz do Iguaçu, em março deste ano, com o robô Toumai, a cirurgia mais distante do mundo, há 19.000km de distância entre Brasil e China, onde foi realizado o procedimento de hérnia de hiato. O Cirurgião Dr. Carlos Domene estava na China operando o paciente em Foz do Iguaçu, com total segurança e êxito”, conta Eder, entusiasmado.

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