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Um em cada oito profissionais já adota coffee badging e reforça o uso simbólico do escritório

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O avanço do chamado coffee badging, prática em que profissionais passam rapidamente pelo escritório para um café, uma reunião curta ou um momento de interação antes de seguir o trabalho em outro lugar, vem reforçando uma mudança importante no mercado corporativo. Mais do que manter o presencial diário como regra, empresas e equipes passam a usar o escritório de forma mais pontual, relacional e estratégica. Em 2026, o movimento voltou a ganhar força no debate sobre trabalho híbrido, com destaque para a percepção de que a presença física continua relevante, mas já não precisa ocorrer nos formatos tradicionais de jornada integral. Um levantamento citado pela Forbes aponta que um em cada oito profissionais já adota essa prática, enquanto quase metade dos entrevistados associa a tendência sobretudo à Geração Z.

Para Renato Auriemo, fundador do COW Coworking, empresa com mais de dez anos de operação e atuação próxima ao mercado imobiliário corporativo, a tendência mostra que o escritório não perdeu valor, mas mudou de função. “O que está em queda não é o encontro presencial, e sim a obrigação de ocupar um espaço do mesmo jeito todos os dias. Hoje, muitas empresas querem usar o presencial para conectar pessoas, receber clientes, fazer reuniões produtivas e manter a cultura viva, mas sem carregar a rigidez e o custo de uma operação tradicional subutilizada”, afirma.

A discussão ganha ainda mais peso em um momento em que a qualidade dos vínculos no trabalho passou a ser tratada como fator de saúde organizacional. Segundo a Gallup, 20% dos empregados no mundo disseram ter sentido solidão em boa parte do dia anterior, com incidência maior entre profissionais mais jovens e entre quem atua de forma totalmente remota.

A mudança ajuda a explicar por que espaços flexíveis vêm ganhando espaço nessa nova lógica de uso. Quando a ida ao escritório acontece para encontros rápidos, conversas decisivas, networking ou reuniões sob demanda, cresce a demanda por locais prontos, agradáveis e de contratação simples. Para operações de coworking, isso abre espaço para passes diários, hot desks, locação avulsa de salas e uso pontual para eventos, com estrutura já preparada de mobiliário, internet, recepção e suprimentos em uma única fatura. O debate internacional sobre coffee badging também mostra que esse comportamento reflete a busca por conciliar autonomia, produtividade e presença. Nesse cenário, os encontros presenciais passam a ter também um papel de descompressão e pertencimento. A American Psychological Association observa que ambientes de trabalho com senso de conexão e comunidade tendem a favorecer empregados mais saudáveis, satisfeitos e produtivos.

Na avaliação de Renato, o escritório tende a se consolidar menos como endereço fixo de permanência e mais como plataforma de uso inteligente. Dados da Gallup mostram que empregados engajados registram 42% menos estresse do que os ativamente desengajados, o que ajuda a explicar por que ambientes de trabalho voltados à conexão e à troca ganham relevância mesmo em rotinas híbridas. “Quando a empresa entende que nem toda presença precisa virar ocupação integral, ela passa a valorizar mais a qualidade do espaço, a conveniência da contratação e a possibilidade de ativar o presencial na medida certa. É justamente aí que os ambientes flexíveis ganham relevância”, diz.

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