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Uso intenso de IA Generativa pode impossibilitar a performance de originalidade, alerta especialista

Helena Prado, presidente executiva da PinePR. Crédito da imagem Leo Franco

Helena Prado, presidente executiva da PinePR. Crédito da imagem Leo Franco

Presidente executiva da Pine analisa o fim da individualidade no mercado de comunicação e marketing com o uso da Inteligência artificial

À medida que a Inteligência Artificial Generativa (GenAI) se torna universal em agências e departamentos de marketing, surge um desafio: embora a IA ajude indivíduos a serem mais criativos, ela reduz a variabilidade das ideias no grupo, conforme mostra um estudo da Science Advances, que alerta sobre a “homogeneização criativa”. Como consequência, há uma perda da originalidade e autonomia profissional. Para Helena Prado, presidente executiva da Pine, agência especializada em PR e conteúdo estratégico, o mercado enfrenta hoje um desafio em que  a eficiência imediata e rapidez pode comprometer a diferenciação e singularidade a longo prazo.

“Estamos observando o que chamo de ‘convergência criativa’. A tecnologia permite entregas mais rápidas e tecnicamente corretas, mas o efeito coletivo é uma produção cada vez mais similar”, afirma Helena. Com base na análise da especialista sobre o impacto da IA na cognição e no design de trabalho, a executiva destaca os riscos estruturais para campos que dependem diretamente de senso crítico e autoria.

Estudos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) indicam que, embora a GenAI possa elevar a performance individual, especialmente de profissionais menos experientes, ela tende a reduzir a diversidade de ideias no conjunto das produções. Para Helena, esse é um risco preocupante para o branding e o storytelling. “O valor da comunicação está justamente no desvio, na interpretação única e na construção de significado. Quando a tecnologia passa a orientar as decisões criativas, a inovação pura e autêntica é substituída por uma média estatística”, explica.

Outro ponto de alerta para Helena é o fenômeno da “compressão de habilidades” (skill-compression). Segundo ela, se por um lado a ferramenta reduz diferenças e eleva o nível médio de quem está começando, por outro pode limitar o desenvolvimento do conhecimento e pensamento estratégico. “A capacidade de refletir sobre o próprio pensamento é o que transforma o output da IA em um recurso real. Tratar a ferramenta como substituta, e não como suporte, é um caminho curto para a obsolescência do talento humano”.

Assim, o desafio para as lideranças de marketing e comunicação não é automatizar mais, mas construir e adaptar uma lógica de “inteligência aumentada”. Helena defende que lidar com a tensão entre performance e cognição exigirá novos modelos de governança que demandem e preservem o repertório e o senso crítico. “O benefício imediato da velocidade não pode custar a autonomia e a capacidade de diferenciação e originalidade, que são os ativos centrais de qualquer empresa que compete por atenção em mercados saturados”, conclui a executiva. 

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