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Viagens de última hora crescem e desafiam a hotelaria

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Consumidor mais digital e imediatista muda o comportamento de reservas e exige novas estratégias do setor

O comportamento do consumidor no turismo vem passando por uma transformação significativa, impulsionada pela digitalização e pela busca por experiências mais imediatas. Uma das principais mudanças observadas é o crescimento das reservas de última hora, movimento que tem impactado diretamente a gestão da hotelaria, especialmente em destinos urbanos e corporativos.

Na prática, isso significa uma redução no tempo entre a decisão de viajar e a efetivação da reserva. Para os hotéis, o cenário exige maior agilidade na precificação, gestão dinâmica da ocupação e capacidade de adaptação às oscilações da demanda. “Hoje, o hóspede está cada vez mais conectado e confortável em decidir sua viagem com pouca antecedência. Isso muda completamente a lógica de planejamento do setor”, explica Lívia Trois, CEO da Rede Master Hotéis.

Segundo a executiva, a tecnologia tem papel central nesse novo comportamento. Plataformas digitais, aplicativos e comparadores de preços permitem ao consumidor acessar ofertas em tempo real, estimulando decisões mais rápidas e, muitas vezes, baseadas em oportunidade. “O acesso à informação tornou o cliente mais autônomo e exigente. Ele monitora preços, avalia localização e estrutura e decide no momento que percebe vantagem”, afirma.

Esse novo cenário também impõe desafios operacionais para os empreendimentos. A previsibilidade, antes mais estável, dá lugar a um fluxo mais volátil de reservas, o que exige estratégias mais sofisticadas de revenue management (gerenciamento de receita) e de gestão de pessoas e logística de insumos. “Precisamos trabalhar com modelos mais flexíveis e dados em tempo real para equilibrar ocupação e rentabilidade. Não é mais possível operar com a mesma antecedência de anos atrás”, destaca Lívia.

Por outro lado, a tendência também abre oportunidades para o setor. A possibilidade de captar reservas de última hora permite otimizar a ocupação em períodos que antes poderiam ficar ociosos“Quando bem gerida, essa demanda pode ser extremamente positiva. Ela ajuda a preencher lacunas e maximizar resultados, especialmente em finais de semana e feriados”, complementa a CEO.

A Rede Master Hotéis, com forte atuação no Rio Grande do Sul, já vem adaptando suas estratégias para esse novo perfil de consumidor, investindo em tecnologia, canais digitais e inteligência de dados. “Mais do que reagir à tendência, é preciso antecipar movimentos e estruturar uma operação preparada para a imprevisibilidade. Esse é o novo desafio da hotelaria”, aponta Lívia.

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